A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) além dos estudos já em fase mais avançada dos impactos do aquecimento global sobre a produção nacional de soja, milho e café também está em empenhada em traçar cenários para o arroz, o trigo e o feijão. A informação é do pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Fábio Marinho, para quem o feijão desperta uma preocupação especial. É uma cultura muito sensível falta de água, ressaltou em entrevista Agência Brasil.
Em relação ao arroz, o cenário é menos grave pelo fato de boa parte da produção brasileira ser feita em áreas irrigadas, segundo o pesquisador. Seriam impactadas com mais força apenas áreas onde se produz arroz de sequeiro.
O especialista lembrou que as projeções não significam necessariamente cenários trágicos para os agricultores, mas representam um sinal para o planejamento de políticas públicas.
É um alerta importante de que nós precisamos pesquisar essas culturas e investir em melhoramento genético. Assim como como soja está saindo na frente [pesquisadores já desenvolvem um tipo de grão mais resistente ao clima seco] as outras culturas precisam de estudos e recursos para que os ‘melhoristas’ desenvolvam variedades mais aptas nova condição, expliocu Marinho. Se nada for feito, podemos ter um impacto muito forte ressaltou.
Marinho destacou ainda que na condição de país tropical, o Brasil é muito dependente da agricultura. O nosso PIB [Produto Interno Bruto], de 30% a 35% decorre do agronegócio. A gente precisa cuidar da galinha dos ovos de ouro do país.
Apesar da Embrapa trabalhar no sentido de evitar a necessidade de agricultores futuramente terem que mudar de cultura, a hipótese não pode ser de todo descartada, ponderou Marinho. Para o agricultor, trocar de cultura não é como trocar de casa ou de carro, mas isso pode acontecer. A gente tenta manter a cadeia a geografia agrícola, mas eles podem vir a ser convidados a mudar, alertou.
Agência Estado

