Estamos em plena safra do boi gordo e enfrentando a suspensão das importações de carne bovina in natura pela União Européia. Mesmo com os preços da arroba do boi gordo em queda, os pecuaristas avaliam que isso será passageiro e que o mercado não tem produto sobrando. Tanto que frigoríficos grandes estão abatendo apenas três dias por semana, e ainda assim, utilizando menos de 60% da capacidade instalada a cada dia de matança. Isso mostra que o mercado está realmente enxuto.
Esse mercado ajustado tem animado pecuaristas. Tanto que a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) inicia 2008 com expectativa bastante positiva. Com pouco mais de dois anos de trabalho, a entidade presidida por Ricardo Merola já reúne cerca de 50 projetos de confinamento, que representam cerca de 600 mil cabeças para abate. “Para este ano, a expectativa é de crescimento superior a 40% no volume de gado para abate”, assinala Juan Carlos Lebrón Casamada, diretor-operacional da Assocon.
Especialista em mercado pecuário, Juan foi recém-contratado pela Assocon. Entre suas atribuições, está a ampliação do programa de qualidade da Assocon, voltado a práticas de manejo que atendem as exigências do mercado, inclusive dos importadores de carne brasileira.
“Também vamos impulsionar os acompanhamentos de abate dos nossos associados. No ano passado, a equipe técnica da Assocon presenciou cerca de 800 abates, englobando 185 mil cabeças. Para 2008, nossa meta é superar os mil abates, com mais de 200 mil bovinos”, informa Casamada.
O acompanhamento de abate é uma ação efetiva e importante da Assocon para os seus parceiros, que visa assegurar os controles e as práticas necessárias nos frigoríficos, como bem-estar animal, pesagem, abate humanitário e procedimentos de abate e processamento. “Este trabalho que realizamos e o banco de dados que está sendo formado é inédito”, frisa o diretor-operacional da associação.
Rastreabilidade
Em relação ao programa de qualidade da Assocon, Juan Camamada ressalta sua importância para a cadeia produtiva da carne bovina brasileira, que precisa satisfazer às exigências de certificação, rastreabilidade, sanidade e manejo para atender aos mercados interno e externo.
“O Brasil já representa cerca de um terço das exportações mundiais de carne bovina. Nossa responsabilidade é muito grande para suprir a demanda global de proteína vermelha. Assim, os projetos pecuários brasileiros precisam estar devidamente adequados para cumprir tais requisitos. Da mesma maneira, o mercado interno consome mais de 6 milhões de toneladas/ano e, ano após ano, cresce a importância dos confinamentos como fornecedores de carne de qualidade”, ressalta o novo dirigente da Assocon.
Com a contratação de Juan Casamada, a Assocon se fortalece e amplia a prestação de serviços aos confinamentos associados. O diretor-executivo Fabio Dias permanece responsável pela representação institucional da entidade.
“Nosso projeto envolve a união da classe, o seu fortalecimento e o desenvolvimento de ferramentas de gestão para os confinamentos. Da mesma forma, a representatividade política dos confinadores está avançando a passos largos. A Assocon veio ocupar espaço importante na cadeia da carne bovina, num momento em que a discussão volta-se para a qualidade do gado levado ao abate”, explica Fábio Dias.
Jornal de Brasilia

