Volta e meia, o anúncio da visita de missões estrangeiras ao País costuma movimentar o setor pecuário nacional. Os objetivos destas comitivas são diversos: inspeções de cunho sanitário, prospecção de novos mercados ou mesmo restabelecimento de relações comerciais com o Brasil. Os resultados das visitas têm revertido de forma positiva para o incremento das exportações brasileiras, que em 2007 chegaram, até o momento, a 2,5 milhões de toneladas, resultado que também decorre da ampliação de mercados e eliminação de antigos embargos. Em função disto, também é previsto o incremento dos embarques em 2008, podendo alcançar o volume de 2,62 milhões de toneladas em carcaça.
Atualmente, a grande expectativa do setor gira em torno da visita de uma missão chinesa aos frigoríficos brasileiros, prevista ainda para este mês. “Trata-se de um mercado excepcional, em função de seus índices populacionais, que trará excelentes retornos ao País”, declarou o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen. Segundo ele, os chineses pretendem conhecer o produto, os sistemas sanitários e as condições das indústrias, para prospectar negócios. “Ainda é cedo para falar em retornos financeiros, mas a expectativa é grande”, antecipou.
O superintendente do Ministério da Agricultura do Estado, Francisco Signor, também destaca a importância da visita chinesa, no entanto, acredita que o Estado deva aproveitar para divulgar não apenas a carne bovina, mas especialmente a suína. “Estamos com pouca disponibilidade de carne bovina inclusive para consumo interno, por isso, o produto suíno é uma ótima alternativa.”
Entre os bons resultados oriundos das visitas está a recente liberação, pela Rússia, da retomada das importações de carne de estados como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, São Paulo, além do sul do Pará, Amazonas e Paraná. “Em abril de 2006 foi a vez do Rio Grande do Sul, e recentemente destes outros estados”, recorda o dirigente. A China se firma como um dos principais compradores mundiais de carne bovina, pois sua produção cresce apenas 3% ao ano, enquanto o consumo avança 10%. Pelo lado comprador do produto brasileiro, a Rússia absorve cerca de 15% das exportações de carne bovina do País e 70% das carnes suínas. Já os 27 países da União Européia absorvem 18% da carne bovina exportada pelo Brasil.
Apesar das expectativas que a chegada de estrangeiros geram no mercado interno, nem sempre resultam em boas notícias. As ameaças de embargo também costumam preocupar representantes do setor produtivo da carne, toda a vez que é anunciada nova visita, especialmente da União Européia. Segundo Lauxen, estas costumam ser as visitas mais comuns, ou seja, organizadas por países que já compram carne bovina brasileira, mas que se preocupam com questões sanitárias. A ênfase costuma centrar-se em relação às conformidades com as resoluções européias, principalmente em relação à rastreabilidade.
“Eles avaliam toda a cadeia, desde o produtor, passando pela indústria, suas instalações, além de quesitos referentes à defesa sanitária: vacinação contra aftosa e rastreabilidade.” Signor questiona as muitas exigências impostas. “Se a carne serve para nós, se é considerada boa para o consumidor brasileiro, por que para o mercado europeu precisa estar envolta em tantos cuidados?” Na opinião dele, tais exigências refletem interesses estritamente econômicos. “Eles se valem das normas para barganhar preço”, defende.
No Rio Grande do Sul, depois de um ano de retração nas exportações de carne bovina, a previsão do setor para 2008 é de incremento dos negócios. Em 2007, a média mensal de produto in natura enviado foi de 3,5 mil toneladas. Para o próximo ano, esse volume pode chegar a 8 mil toneladas. O total mensal exportado em 2007 foi de 9 mil toneladas mensais, muito inferior aos 20 mil envios realizados a cada mês, em 2006. Para 2008, o volume total, entre congelados e in natura pode chegar a 15 mil toneladas/mês.
Jornal do Comércio

