Em vez de importar o barato produto brasileiro feito da cana de açúcar, o governo americano prefere optar em taxar a importação de maneira brutal, 51 centavos de dólar por galão, e subsidiar, a altos custos, os produtores de milho.
Além disso, etanol de milho necessita de muita terra para ser produzido. Estudos apontam que para se substituir 10% do consumo americano de petróleo por biocombustíveis seria necessário utilzar um terço das terras férteis para o cultivo de cereais, sementes oleosas e açúcar.
Porém, apesar de acreditar que o etanol brasileiro é uma opção mais viável, o jornal assume a postura de que o biocombustivel está longe de ser o melhor para o meio ambiente global. Enquanto pode ajudar no corte do consumo de petróleo e promover reduções nas emissões de gases do efeito estufa, o etanol a partir de produtos agriculas pode também causar um aumento no preço de alimentos.
Mesmo agora, com a China e a Europa se juntando aos EUA no cultivo de milho para a produção do combustível, o preço mundial de alimentos já apresenta crescimento, ameaçando os países mais pobres.
Os europeus já anunciaram que desejam que os biocombustiveis ocupem 10% de seu consumo até 2020. A China busca 15%. Os EUA já estão no caminho para exceder a meta de dobrar a quantidade de etanol nos combustiveis para 7,5 bilhões de galões em 2012. O senado americano já aprovou que este número deve aumentar para 36 bilhões em 2022.
Toda essa expectativa já gera distorções na agricultura. Os preços do milho estão 50% acima do equivalente de 2006. E como muitos produtores americanos estão substituindo o cultivo da soja pelo milho, existem projeções para um aumento de 30% em 2008 no preço da soja.
Notícias de todo o mundo são preocupantes. A produção do etanol, combinado com condições climáticas adversas e o aumento de demanda por ração animal na China, estão elevando os preços dos grãos ao nível mais alto da década.
Um recente relatório da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, uma espécie de fórum econômico para nações ricas, requisitou aos EUA e outros países industrializados para eliminar os subsídios para a produção de etanol.
Segundo o relatório, esses subsídios estão empurrando os preços dos alimentos, ameaçando habitats e impondo outros custos ambientais. “Os impactos do etanol e do biodiesel no meio ambiente podem facilmente exceder aqueles do petróleo”, conclui o estudo.
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