Depois de causar forte alta na inflação, o leite poderá deixar de ser o principal vilão no orçamento doméstico dos consumidores. A indústria dá sinal de que o preço do alimento no varejo já começa a cair. Só no último mês o preço do produto aumentou 40%. Com isso, o produtor também deverá receber menos em outubro pelo leite entregue neste mês aos laticínios.
“Os próximos índices de custo de vida vão acusar essa queda. Mas é preciso lembrar que existe um descompasso entre o preço pago ao produtor e o cobrado no varejo”, diz Laércio Barbosa, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida. De acordo com ele, no final de julho, o preço ao varejo estava em R$ 2,10 o litro e hoje é de R$ 1,30.
Entre março e julho, a alta do preço do leite longa vida foi motivada pela escassez da matéria-prima – nesse período, a valorização superou 70% no atacado. Mesmo assim, segundo o Grupo Pão de Açúcar, segundo maior rede de supermercados do País, a demanda pelo produto não teve queda. Tampouco os preços dos produtos em suas gôndolas refletira a queda recente ocorrida no campo. Segundo sua assessoria de impresa, as compras são programadas por longo prazo e, por isso, ainda não refletiram essa depreciação.
Para Barbosa, a redução dos preços é efeito do aumento da produção, avaliado em 20% nos últimos dois meses. “O preço estava restringindo a compra”, lembra a economista Amarillys Romano, da Tendências. Barbosa a receita dos produtores começará a cair em outubro entre 10% e 20%. Segundo informa, haverá excedente que pressionará ainda os preços.
Gazeta Mercantil

