Termo agrotóxico existe só no Brasil, diz professor da Esalq

por Portal Campo Vivo

O termo “agrotóxico” existe só no Brasil. Em outros países as palavras mais usadas para designar produtos químicos aplicados nas lavouras para controlar pragas e doenças são “produtos fitossanitários ou de proteção de plantas ou praguicidas e pesticidas”, disse o presidente do Conselho Científico Agrossustentável, José Otávio Menten, também professor da Esalq-USP. Menten participou na manhã desta quarta-feira, 21, do Fórum Estadão Agronegócio Sustentável, promovido em parceria com a Apex Brasil em São Paulo.

Para o professor da Esalq, a proposta de mudança de nome, porém, não é o ponto mais importante do projeto de lei dos Agrotóxicos, em tramitação no Congresso Nacional. Mesmo assim, defendeu a adoção do termo pesticida, que é aceito em fóruns internacionais, inclusive na FAO-ONU. “Se o nome adotado for pesticida, estaremos de acordo com o nome internacionalmente aceito.”

Para ele, é importante lembrar que no novo projeto de lei a palavra pesticida não envolve só produtos aplicados em lavouras, mas também os de uso não agrícola, incluindo os domissanitários (de uso doméstico, como mata-baratas). E, pela legislação atual, o termo agrotóxico não é o mais adequado, porque diz respeito somente à agricultura.

De acordo com o coordenador-geral de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Carlos Ramos Venâncio, a nova lei deveria, de fato, se alinhar a termos internacionais. “Usamos a palavra agrotóxico porque está na lei”, disse. “Este termo é uma de nossas jabuticabas, que só existe aqui.” Para ele, se o termo pesticida for adotado, caso isso “estiver errado”, o País estará “errando” com todos os outros países. “Temos de nos alinhar internacionalmente para estar resguardados.”

Também presente no painel, o professor Caio Carbonari, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp-Botucatu, concordou que “pesticida”, além de ser internacionalmente aceito, é o nome mais adequado. O gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Carlos Alexandre Gomes, lembrou que o nome agrotóxico foi cunhado na década de 1970, pelo fato de realmente a população não ter conhecimento do perigo que poderia representar o mau uso do produto. “Há 30 anos tinha gente que mexia o caldo (de veneno, antes da aplicação na lavoura) com a mão”, disse Gomes. “Pode até ser que isso ainda ocorra em alguns lugares, mas a realidade mudou bastante.

As empresas têm maior responsabilidade social e tentam levar conhecimento à população.” Mudando ou não o termo agrotóxico no PL, Gomes advertiu que, como funcionário público, tem de atuar conforme a legislação. “Se na lei consta o termo agrotóxico, a Anvisa vai classificar como agrotóxico.”

Estadão Conteúdo

Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Sign up with email

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar