Senado aprova programa para biocombustíveis

por Portal Campo Vivo

O Senado aprovou na terça-feira (12) o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 160/2017, que institui a Política Nacional de Biocombustíveis no Brasil, o RenovaBio. A iniciativa estabelece metas de redução das emissões de gases causadores de efeito estufa (GEE), alinhadas com os compromissos do País no Acordo do Clima de Paris, e cria o mercado de créditos de descarbonização, além de normatizar o processo de certificação de biocombustíveis. O texto segue para sanção presidencial.

O programa se fundamenta em duas metas principais. Uma meta nacional, para os próximos dez anos, é equalizar a redução competitiva e eficiente da intensidade de carbono da matriz e outra, individual, ligada às distribuidoras, que, para comprovar o cumprimento das metas, deverão comprar créditos de descarbonização (CBios), emitidos a crédito das empresas produtoras de biocombustíveis. Esse modelo busca incentivar o uso de combustíveis renováveis e de menor intensidade de carbono, como o etanol, o biodiesel, o bioquerosene e o biogás.

O RenovaBio não se restringe às oportunidades de inserção do biodiesel e do etanol na matriz energética. Há oportunidades promissoras para a produção de outros biocombustíveis, como o biometano, o bioquerosene de aviação e o biogás.

A pesquisa agropecuária assume o papel de forte aliada nos compromissos de redução das emissões de GEE no Brasil, seja na geração de conhecimento ou na produção de ativos tecnológicos importantes para a sustentabilidade do setor agropecuário.
Além disso, a Embrapa, observando os objetivos estratégicos estabelecidos no seu VI Plano Diretor, apoia o aprimoramento de políticas públicas alinhadas às demandas de mercado e do desenvolvimento rural.

No tocante ao RenovaBio, a Empresa contribuiu efetivamente com seu quadro técnico e com conhecimentos gerados para a construção do programa.

A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), em parceria com o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), FEM/Unicamp e Agroicone, coordenou o desenvolvimento do referencial metodológico e instrumental para avaliação e certificação ambiental do RenovaBio. A Renovacalc, um tipo de calculadora que vai estimar a intensidade de carbono dos biocombustíveis, está perfeitamente alinhada aos propósitos de certificação do programa.

Para a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Marília Folegatti, que coordena o Grupo de Trabalho de Avaliação de Ciclo de Vida e Certificação do RenovaBio, a aprovação do PL 160/2017 na Câmara e no Senado foi talvez a mais rápida da história recente. “Isso pode ser atribuído ao fato de ser uma política de interesse do País, realmente. A Embrapa pôde participar da construção desta política e continuará atuando intensamente na nova fase de regulamentação da lei. O método e a ferramenta de cálculo da intensidade de carbono de biocombustíveis serão detalhados e inseridos nas resoluções que tratarão do processo de certificação e emissão das notas de eficiência energético-ambiental”, explicou.

Já o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, ressaltou que o RenovaBio é uma política pública que expressa bem o conceito de sustentabilidade, unindo os aspectos econômicos e ambientais dos biocombustíveis, o que trará importantes impactos sociais, com a descarbonização da matriz energética brasileira. “O programa cria um incentivo para o aproveitamento de diferentes matérias-primas, especialmente de biomassa, para a produção de biocombustíveis. Isso trará ganhos econômicos e ambientais para toda a cadeia produtiva e benefícios para o consumidor e a sociedade como um todo. É uma política que promove o ganha-ganha”.

Apoio

A Embrapa executou uma importante ação institucional na formulação do RenovaBio enquanto política pública. Juntamente ao apoio técnico, a Empresa também dispensou uma expressiva contribuição no âmbito da articulação junto aos poderes Executivo e o Legislativo, por meio da Assessoria Parlamentar – ASP, setor que coordena o processo de relacionamento institucional e governamental da Embrapa com as instituições desses poderes.

A ASP acompanhou todo o processo no Executivo e no Legislativo subsidiando, junto com a equipe técnica da Embrapa Meio Ambiente e parceiros, os atores dos dois poderes para as tomadas de decisão sobre o PL. Conforme ressaltou a pesquisadora Petula Ponciano da ASP, o Projeto de Lei do Renovabio experimentou um consenso raro no Congresso Nacional. “Não houve oposição e a articulação transcorreu de forma muito técnica e rápida. Tudo isso demonstra que a contribuição para políticas públicas acontece em várias instâncias e com diversos atores atuando, ” disse.

A tramitação do projeto de lei pode ser encarada como um exemplo de formulação de política pública, que mobilizou agentes da esfera federal, sob a condução da equipe do Ministério de Minas e Energia – MME, com articulações com o setor privado e com instituições de pesquisa, fato que propiciou a formatação de parcerias que conduziram a Embrapa até a efetiva criação e o desenvolvimento da RenovaCalc.

A Embrapa coloca o melhor de sua equipe técnica para contribuir e alavancar o desenvolvimento da agricultura e da sociedade brasileira. E, dessa forma, também se fez presente e atuante na geração e disponibilização de seus ativos para apoiar a construção do RenovaBio, sempre pautada pelo robusto conhecimento técnico e científico.

Neste cenário, a Embrapa pôde oferecer tecnologia para a produção de biomassa com baixo impacto ambiental e ferramentas que permitam avaliar o desempenho ambiental das práticas envolvidas nestes sistemas. Também promover e executar ações integradas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para rotas tecnológicas sustentáveis, visando à valorização da biomassa nacional para o fortalecimento sustentável de cadeias do agronegócio, com base nos conceitos de biorrefinaria e de bioeconomia.

Por meio de seus portfólios de pesquisa, a Empresa tem gerado avanços e consolidado tecnologias expressivas na cultura da cana-de-açúcar, da soja e em outras biomassas energéticas. Incluem-se recomendações técnicas que podem trazer no curto prazo, ganhos expressivos de produtividade, competitividade e sustentabilidade para o setor sucroenergético, especialmente em áreas de expansão da cultura, como no Cerrado, e mesmo para áreas tradicionais de cultivo de cana-de-açúcar.

Isso inclui tecnologias como o plantio direto e preparo reduzido, o manejo de palha para cogeração de bioeletricidade, o uso de inoculantes com bactérias fixadoras de nitrogênio, estratégias para aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, planejamento de adubação para aumento de produtividade e melhoramento genético da cultura.

Como afirma o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, “com todo este esforço em PD&I, a rede Embrapa está preparada para auxiliar a promover a produção de energia renovável no presente, e produtos mais sofisticados da biomassa no futuro”.

Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Sign up with email

Get started with your account

to save your favourite homes and more

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar