
Produtores capixabas de conilon conheceram na prática como funciona as negociações na B3 (Brasil, Bolsa e Balcão) durante a 4ª edição do Prime Exchange Rural, nesta terça-feira (18). A Bolsa de Valores de São Paulo é uma ferramenta de mercado que oferece mecanismos de gestão de risco e estabilidade de preços para a cadeia produtiva, desde o produtor até a indústria. Em 15 dias do mês de novembro, mais de 51 mil sacas foram negociadas no contrato da B3.
O funcionamento da Bolsa foi apresentado pelo assessor da XP Investimentos, Thomas Giuberti, que conduz as operações dos clientes da corretora Prime Café, que lidera o assunto no Estado do Espírito Santo.
Giuberti destacou que o primeiro passo para iniciar as operações é abrir uma conta na corretora para acessar os investimentos. Em seguida, conhecer as especificidades do contrato, deixar a conta ativa e fazer a primeiro aporte, para assim estar apto a fazer a primeira movimentação, seja pessoa física ou jurídica.
“A principal vantagem na B3 é o preço. A negociação tem sentido econômico quando o preço é melhor que o de balcão. Ao negociar na bolsa, o cafeicultor tem a garantia de que o café seguirá até o contrato, ou seja, não tem risco da não entrega”, disse o especialista.
Outro ponto destacado foi a segurança. Quem manda uma ordem na Bolsa, o valor já foi respaldado pela corretora, pela B3, e a negociação será cumprida. Se não for cumprida, ou o cliente não honrou ou vendeu por um preço mais caro.
“O produtor vendeu a saca a R$ 1.500, por exemplo, e o mercado caiu por qualquer motivo e foi para R$1.000. O produtor pode recomprar esse contrato também. Nesse caso, ele tem o lucro de R$ 500,00 e mantém o café armazenado. O contrato envolve várias nuances e, dependendo de cada cenário, faz mais sentido econômico, sempre com o objetivo de ganhar mais e fechar um melhor negócio na B3”, explicou o representante da XP.

Na ocasião, o diretor comercial da Prime Café, Rafael Teixeira, que atua fortemente com cafeeiras, multinacionais e produtores que estocam cafés dentro de suas propriedades, explicou que o foco da empresa é conectar cafeicultores e compradores aos melhores negócios no mercado de commodities.
“A Prime oferece análise de mercado em tempo real, tendência de preços, com suporte em todas as etapas para garantir que operação seja segura e rentável. O mercado está muito competitivo, com muitas pessoas comprando e tentando negociar, por isso, criamos ferramentas, uma delas é o contrato futuro, enxergando além do mercado para proporcionar exclusividade ao nosso cliente e que venham de encontro com a assertividade”, disse o diretor da Prime.
Prazos para pagamento
Uma dúvida comum entre os produtores é sobre o pagamento. Na comercialização tradicional a venda e o pagamento acontecem quase que imediatamente. Já nos contratos negociados pela B3, o processo é diferente e exige planejamento.
A B3 possui um prazo regulamentar de até 10 dias úteis para classificação e validação do café. Por isso, para evitar riscos de atraso ou interferência no contrato, o ideal é que o produtor entregue o café no armazém com cerca de 15 dias de antecedência ao mês de vencimento, explicou Jessica Giuberti, diretora da Pole Armazéns, empresa credenciada à B3.
“Uma referência simples é considerar a entrega sempre por volta do dia 15 do mês anterior ao vencimento do contrato. Essa antecedência é necessária porque o processo de análise é bastante rigoroso. Para ilustrar: em um conjunto de 10 lotes (equivalente a 1.000 sacas), são retiradas 22 amostras de 300g cada para avaliação”, detalhou.
Após a entrega em um armazém credenciado, o processo segue etapas formais da Bolsa e, portanto, o produtor leva em média 20 a 30 dias para receber o valor na conta bancária.
O evento aconteceu no Happy Hub. Foi idealizado pela Prime Café e Golden Investimentos, afiliada à XP Investimentos, e contou com o apoio da B3.
Valda Ravani, Jornalista, Redação Campo Vivo

