Cecafé apresenta balanço de carbono na cafeicultura com resultados de pesquisas no ES e MG

Os estudos avaliam a relação das boas práticas agrícolas, como a preferência por insumos biológicos e de base orgânica, e o sequestro de carbono

por Portal Campo Vivo
Foto: divulgação

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apresentou os resultados de sua agenda de carbono na 124ª Reunião Ordinária da Câmara Temática de Insumos Agropecuários (CTIA), realizada no dia 6 de março, no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília (DF).

A convite da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), que preside a CTIA, o Cecafé realizou a apresentação “Balanço de Carbono na Cafeicultura Devido às Boas Práticas Agrícolas”, explicando os resultados das pesquisas desenvolvidas nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, sob a condução técnico científica do professor Carlos Eduardo Cerri, da ESALQ/USP, e do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

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“Os dois estudos avaliam a relação entre a adoção das boas práticas agrícolas, entre elas a preferência por insumos biológicos e de base orgânica, e o sequestro de carbono da atmosfera. A adoção das práticas sustentáveis, que protegem os ecossistemas e a biodiversidade são fundamentais para a resiliência das regiões produtoras em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos”, revela Silvia Pizzol, diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade (RSS) do Cecafé.

Nas fazendas de Minas Gerais, foi avaliado o impacto da transição de práticas convencionais para aquelas que aportam mais matéria orgânica no solo, mantém este sob cobertura vegetal e dão preferência à aplicação de fertilizantes organominerais. Como resultado, foi obtido um balanço negativo de carbono da ordem de 10,5 t CO2eq/ha/ano de café cultivado. “Isto é, com a adoção de boas práticas, a cafeicultura retém 10,5 t de CO2 e equivalentes por hectare no solo e nos cafezais a mais do que emite para a atmosfera”, explica.

A segunda etapa da agenda de carbono, concluída em 2024, teve foco na cafeicultura de conilon do Espírito Santo e avaliou o benefício dessas boas práticas sob a ótica da mudança de uso do solo. Na transição de solo de pastagem para a produção tradicional, o balanço é negativo em 3,01 t CO2eq/ha/ano e este valor salta para menos 8,24 t CO2eq/ha/ano na transição de pastagem para produção de conilon com práticas sustentáveis.

“A agenda do Cecafé identificou que a quantidade média de carbono estocada nas áreas de preservação permanente e de reserva legal avaliadas em Minas Gerais e no Espírito Santo estão no intervalo de 183 t a 338,6 t de CO2eq para cada hectare de café cultivado, o que é um benefício ambiental exclusivo da ‘origem Brasil’ e que está embutido em cada contêiner de café exportado ao mundo”, comenta Silvia.

Durante os debates, o Cecafé explicou que a monetização dessas ações sustentáveis através de mercados de carbono pelo agricultor não é tão simples, especialmente aos pequenos e médios produtores, devido à pequena escala e aos custos elevados de implementação desses projetos. Em sua terceira etapa, a agenda de carbono do Cecafé está avaliando, em parceria com a StoneX Carbon Solutions e a Allcot, qual seria a viabilidade de um programa nesse sentido.

“Os trabalhos desenvolvidos pelo Cecafé foram elogiados por promover a comunicação sobre a sustentabilidade e as boas práticas adotadas na cafeicultura nacional, apoiando a ampliação do acesso dos grãos brasileiros a diferentes mercados”, completa a diretora da entidade.

As Câmaras Setoriais e Temáticas foram criadas pelo Mapa como ambientes de interlocução com o setor privado e visam identificar oportunidades de desenvolvimento das cadeias produtivas e definir as ações prioritárias para o fortalecimento do agronegócio brasileiro e seu relacionamento com os mercados interno e externo.

Além da agenda de carbono do Cecafé, a reunião da CTIA tratou de importantes assuntos para as cadeias agropecuárias, como a regulamentação dos programas de autocontrole e da lei de bioinsumos, inovação aberta para o setor agropecuário, importação de fosfatados, projeções agrícolas e mercado de insumos.

Cecafé

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