ARTIGO – A saga de uma atividade secular: A história de uma cultura

por Portal Campo Vivo

por Frederico Daher*

A Cafeicultura no ES começou a ser construída por pessoas determinadas a edificar suas vidas, buscando espaços, gerando riqueza que pudesse oportunizar trabalho e renda, na busca de acumulação de capital.

Vindo do Estado do Rio de Janeiro, à época o maior produtor de café, a cultura encontrou em solo capixaba terras férteis recém desbravadas e, inicialmente, aproveitando o trabalho escravo, posteriormente substituído pelos imigrantes europeus e árabes. Esgotado o ciclo do ouro e da cana de açúcar o Café, em meados do Século XIX, veio para ficar instalando-se em extensas lavouras no Sul Capixaba, inicialmente, nos municípios de Guaçuí e Alegre, espraiando-se pelo Caparaó e Montanhas Capixabas.

Inaugurava-se aí uma nova era de oportunidades para toda uma região necessitada de coragem para seu desbravamento e empreendedorismo para sua exploração econômica. Em pouco tempo o Café abriu fronteiras, ensejou poupança para expansão de sua área de produção abrindo oportunidades para o desenvolvimento. Foi assim que surgiu a Estrada de Ferro Leopoldina ligando a praça comercial do Rio de Janeiro a Vitória, capital do Estado. A partir daí, com preços remuneradores o café não parou de avançar pelo interior capixaba possibilitando rendas para que se pudesse gerar oportunidades a uma população que crescia cada vez mais com o aumento da chegada dos imigrantes.

Importante destacar o crescimento das famílias que aqui aportaram ensejando condições para que a nova geração de descendentes italianos, alemães, pomeranos e outras nacionalidades, sempre na procura de novas áreas para plantio e independência financeira, começassem a migrar para o norte do Espírito Santo, aproveitando, inclusive, o surgimento da Estrada de Ferro Vitória a Minas, tendo, inicialmente, o município de Colatina como epicentro dessa nova fase de expansão.

A partir de Colatina esses intrépidos pioneiros foram ocupando a Região Norte/Noroeste do Estado onde encontraram oportunidades de fixação e expansão.

A partir do início do século XX, extensas áreas foram ocupadas por esses intrépidos imigrantes que acabaram por construir cidades, municípios, oportunizando à Administração Pública Estadual ocupar extensas áreas de seu território, até então totalmente inexploradas.

Tudo caminhava dentro de padrões equilibrados de desenvolvimento até que a falência da Bolsa de Mercadorias e Valores de Nova York (1929) , gerou, por consequência, imensas dificuldades aos Cafeicultores que se viram, de uma hora para outra, sem alternativas para venda do seu Café, àquela altura única e efetiva poupança para as famílias interioranas.

Foram momentos que se arrastaram vagarosamente para o caos econômico que culminou com a queima dos estoques de Café por parte do Governo Federal, numa tentativa de fazer com que os preços do café subissem, tentando recompor renda de todos os envolvidos com o café, Brasil afora. Nada disso funcionou e já em meados do século XX surge o Plano de Erradicação das lavouras cafeeiras que atingiu o ES e seus cafeicultores em cheio (1962). O interior capixaba que tinha na cafeicultura de arábica seu grande sustentáculo perdeu 53% de sua área com café e, o que foi pior, sem nenhuma alternativa econômica que pudesse substituir os cafezais erradicados. Forte migração acabou acontecendo, com a saída de milhares de pessoas do campo para as cidades e outros estados como Rondônia, Pará, Mato Grosso etc.

Esses fatos se desenrolaram até que a intrepidez e determinação do Prefeito de São Gabriel da Palha(1971) ouve falar em um Café de origem também africana e que, em experiências realizadas na Fazenda Monte Líbano de propriedade do Governo do Estado,em Cachoeiro de Itapemirim, lá introduzido no Governo Jerônimo Monteiro (1908/1912), demonstrava um bom desempenho produtivo. Atendia-se a proibição de não se plantar o Café Arábica e plantava-se uma nova espécie de café , que chegava com grandes desconfianças por parte dos Cafeicultores remanescentes. O Conilon expandiu-se sob os auspícios iniciais da REALCAFÉ, que o utilizava para fabricação do Café Solúvel. Assim, acabou expandindo-se além da capacidade industrial da Indústria de Solúvel e, novamente, o pioneirismo de Dário Martinelli aflorou testando a produção do Conilon Cereja Descascado, permitindo que se percebesse que o Café Conilon é também um Café Especial digno de estar presente puro nas mais requintadas xícaras de porcelana. Importante destacar o papel da COOABRIEL criando o primeiro Concurso de Qualidade do Conilon, fato que ensejou ao mercado a percepção de que o Conilon não era apenas um café para blends com o arábica.

Por final surge outro importante pioneirismo desta feita na Família Caser Venturim, sob a liderança de Bento Venturim, lançando marca própria de Café Torrado e Moído e Café Torrado Fazenda Venturim, Conilon CD puro, com imenso sucesso.

Uma Saga histórica que merece ser contada!

Este artigo foi publicado na 45ª Edição da Revista Campo Vivo (Edição Especial)

*por Frederico Daher, Engenheiro Agrônomo, Superintendente do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (CETCAF)

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