O calendário de plantio e colheita da safra de grãos 2010/11 não deve apresentar problemas, mesmo com a escassez de chuvas em algumas áreas produtoras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estiagem atrasa o plantio de soja em Mato Grosso, principal Estado produtor da oleaginosa, e também a instalação das lavouras de milho no Paraná, maior produtor do cereal.
Informações preliminares indicam que os produtores estão utilizando sementes mais precoces para terminar a colheita da primeira safra a tempo de plantar a segunda safra no inverno. Além disso, o uso de sementes de ciclo mais curto poderá ajudar os agricultores a minimizar os efeitos de uma possível estiagem a partir de dezembro.
– Os produtores estão mais informados sobre a questão do clima e, por isso, se previnem – afirma José Negreiros, gerente substituto da área de Avaliação de Safras da Conab.
A estatal finaliza nesta semana os trabalhos de coleta de dados para a primeira estimativa de intenção de plantio da safra 2010/11, cujos resultados serão divulgados no dia 7 de outubro. Desde a segunda-feira, 50 técnicos da Conab visitam as principais regiões produtoras de grãos do Centro-Sul e coletam dados para o fechamento dos números do relatório.
De acordo com Negreiros, a situação de plantio é indefinida e, somente a partir do terceiro levantamento, em novembro, é que as informações sobre a área cultivada com cada grão será definitiva.
– Até lá, ainda poderemos ter alterações nos números, já que as culturas estarão sendo plantadas – informa.
Em relação à produtividade, José Negreiros acredita que, neste ciclo, não deve ser repetido o desempenho de 2009/10, considerado excepcional.
– Foi uma safra atípica, em que o clima foi extremamente favorável às lavouras – diz.
Para a estimativa inicial de produtividade, a Conab utiliza a média dos últimos cinco anos e, somente a partir de dezembro é que serão coletadas informações em campo. Por isso, analisa Negreiros, a tendência é que as estimativas apresentem mais correções próximo ao fim da safra.
– A Conab é conservadora, mas os números estão muito alinhados com a realidade – garante.
Agência Estado

