Uma novidade na agricultura promete incentivar a produção com sustentabilidade ecológica e ambiental, além de proporcionar lucratividade aos produtores. É a adubação biológica. Interessada nesse novo método, a Revista Campo Vivo conversou com o engenheiro agrônomo, agricultor, vice-presidente do Instituto Superior de Ciências Aplicadas (ALIE/ISCA), responsável pelo Departamento Técnico da empresa Microbiol Biotecnologia que produz o Microgeo (produto utilizado como componente na produção do adubo biológico) e coordenador do Grupo Temático de Insumos (CSAO/MAPA), Paulo Antônio D’ Andréa, que explicou sobre esse procedimento biotecnológico para a agricultura brasileira.
C V – O que é a adubação biológica?
Paulo – É um processo biotecnológico que permite ao agricultor produzir seu próprio adubo biológico, que é aplicado no solo na dose de
CV – Como Funciona?
Paulo – O agricultor para produzir o adubo biológico utiliza um tanque, tipo caixa d’água, e adiciona, com relação ao seu volume, 5% de Componente para Fermentação e Compostagem na Produção do Biofertilizante, 20% de esterco bovino e completa o nível do tanque com água. O componente tem a função de alimentar os microrganismos do rumem bovino, regulando e mantendo a fermentação e produção do adubo biológico de forma contínua, somente repondo o componente a 2,5% do volume do adubo biológico usado na cultura.
C V – Quais as vantagens da adubação biológica?
Paulo – A adubação biológica recompõe a vida do solo agrícola biologicamente desequilibrado pela monocultura, imitando o solo virgem da floresta, ao aumentar a biomassa biológica do mesmo. O rejuvenescimento do solo com a adubação biológica promove resultados adicionais (Priming Effects) à produção e saúde da cultura. Podemos citar como resultados adicionais e benefícios a maior absorção dos nutrientes pelas plantas; melhor aproveitamento dos fertilizantes e corretivos; solubilização dos nutrientes e minerais do solo; associações biológicas benéficas nas raízes e maior enraizamento; maior resistência a seca, decomposição da matéria orgânica e estruturação física do solo. As plantas têm seu próprio sistema de defesa e reagem na presença da adubação biológica foliar com mais vigor e saúde.
CV – Ela é recomendada em quais atividades agrícola?
Paulo – A adubação biológica é utilizada nas principais culturas no Brasil, e iniciou trabalhos na Argentina e Bolívia. Desde as culturas mais intensivas como hortaliças e flores, fruticultura, cafeicultura, até as mais extensivas como cereais e cana de açúcar. A adubação biológica é utilizada em todas as culturas, pois sua atuação é rejuvenescer e reestruturar o solo. Sua ação foliar atua no sistema de defesa das próprias plantas.
CV – A adubação biológica é o caminho para agricultura sustentável?
Paulo – A adubação biológica ao promover os resultados adicionais na produção e saúde da cultura, permite ao agricultor e seu agrônomo ou consultor técnico, otimizar e economizar no uso dos fertilizantes e insumos na atividade. Através da análise química do solo, é possível identificar os níveis adequados ou até altos de nutrientes que estão no solo, e que na maioria das vezes ficam indisponíveis para as plantas, no solo biologicamente desequilibrado e desestruturado. Portanto, a prática da adubação biológica, gerando ganhos na produção e uso racional dos insumos, permite a atividade agrícola gerar lucro para o agricultor, com sustentabilidade ambiental.
CV – Há algum risco?
Paulo – O componente para fermentação e compostagem na produção de biofertilizante utilizado na produção do adubo biológico, alimentando as bactérias do esterco bovino, é certificado (IBD) para o uso
CV – Qual a expectativa em relação a adubação biológica?
Paulo – A adubação biológica já é uma realidade que se integra nas demais práticas agrícolas, permitindo o agricultor, ao dominar o processo biotecnológico de produção, perpetuar a vida e saúde de seu maior patrimônio, que é o solo, preservando sua capacidade produtiva e gerando lucratividade na sua atividade com responsabilidade ambiental.
Revista Campo Vivo
matéria publicada na edição 06

