As colheitas no Sul do Estado estão mais magras. Os maiores produtores de café, cana-de-açúcar e tangerina registraram, em 2010, queda na produção. Entre os motivos está a seca que atingiu a região em janeiro e fevereiro deste ano. Especialistas estimam que a redução afete não só os agricultores, mas também outros setores, como o comércio.
O maior produtor de café arábica no Estado, Brejetuba também vai amargar a diminuição na colheita deste ano. Hoje, 70% do café do município já foi colhido, e pelos cálculos dos produtores, a safra será 30% menor em comparação ao ano passado. Isso representa um déficit de 20 mil toneladas em relação à produção de 2009, que atingiu 320 mil toneladas.
E os prejuízos devem atingir também as pessoas que não estão diretamente ligadas ao café. “Vamos ter um impacto econômico no comércio. Acreditamos que cerca de R$ 3 milhões deixem de circular na cidade”, afirma o engenheiro agrônomo do Incaper, Fabiano Tristão.
Já em Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy, é a colheita da cana-de-açúcar que preocupa. As três maiores cidades produtoras do Sul capixaba preveem uma queda de 20%.
Já em Conceição do Castelo, sede do Polo de Tangerina, os números também não são animadores. A safra fechou com uma queda de 20%, resultando em uma produção de 1.200 toneladas.
Mas o coordenador do polo, Sebastião Gomes, conta que este cenário já estava previsto. “Foi uma queda natural, pois em 2009 tivemos uma produção expressiva. Assim, é comum que no ano seguinte haja uma redução na colheita”, explica o coordenador.
Marataízes deve repetir a produção de abacaxi registrada no ano passado, que foi de 20 milhões de frutos Algumas cidades revertem a tendência das perdas
Se algumas culturas tiveram queda na produção, outras se mostraram resistentes aos efeitos do clima e conseguiram se manter estáveis e até mesmo aumentar a produtividade.
A maior produtora de inhame do Estado, Alfredo Chaves, espera repetir a safra de 2009. “Vamos chegar a 30 mil toneladas. Não sofremos com a seca, pois todos os nossos produtores possuem sistema de irrigação”, diz o técnico do Incaper, Alciro Nazarino.
A produção de banana deste município, que também é uma das maiores do Espírito Santo, também deve crescer 5%.
Já Marataízes, maior produtora de abacaxi do Estado, começa neste mês a colheita. Uma boa notícia é que, mesmo sem sistema de irrigação, também deve repetir a produção registrada no ano passado, que foi de 20 milhões de frutos.
Mesmo sem crescimento, a quantidade surpreendeu técnicos agrícolas. “A seca atingiu algumas lavouras plantadas, mas o abacaxi tem uma capacidade de recuperação grande. Estimávamos uma perda de 20%, mas com a chuva do outono, tivemos uma grande recuperação”, conta Rubens Vargas, do Incaper do município.
A Gazeta

