Após terem descoberto o primeiro caso de Hepatite E no Brasil, que teria ocorrido há quatro anos, especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) suspeitam que a origem da doença tenha sido a ingestão de carne suína pelo indivíduo infectado. Mesmo assim, Marcelo Alves Pinto, infectologista e pesquisador da fundação, afirmou nesta sexta-feira (06/08) que, por enquanto, o caso não é motivo de preocupação.
A descoberta do vírus é resultado da análise de 64 amostras sorológicas de pacientes com hepatite aguda sem agente causador conhecido. O material, selecionado pelo Laboratório de Hepatites Virais da Fiocruz, foi coletado entre 2004 e 2008. A ocorrência é de 2006 e refere-se a um morador do Rio de Janeiro.
“Pelo histórico clínico do paciente, parece que o indivíduo fez ingestão de carne suína. Só que nós não tivemos acesso a amostras desse material, então, não pudemos detectar o genoma do vírus na carne consumida”, acrescentou Alves Pinto, que coordenou o estudo.
Segundo o virologista, não há diferenças clínicas entre a hepatite A, tipo mais comum da doença no Brasil, e a E. “As duas são consideradas de caráter benigno porque na maioria das vezes o indivíduo se cura e não deixa sequelas. Além disso, a gente presume que a incidência da hepatite E seja baixa”, disse em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional AM.
Ambos os tipos da doença são causadas pelo contato com o agente infeccioso por meio de água e alimentos, por isso, o virologista recomenda a higiene constante das mãos e de alimentos para consumo. Ele também alerta para o cuidado com o cozimento e a refrigeração dos produtos. A pesquisa foi publicada na forma de artigo pelo periódico científico Journal of Clinical Virology, sob o título First Report of a Human Autochthonous Hepatitis E Virus Infection in Brazil. A hepatite é uma doença inflamatória que atinge o fígado e pode causar cirrose ou câncer.
Globo Rural Online com informações da Agência Brasil

