Além de ser uma alternativa de produção agrícola para algumas regiões de São Paulo, o cultivo de café robusta no Estado vai beneficiar indústrias torrefadoras. O Estado é o maior consumidor de café do país, e a maioria das empresas tem unidades de torrefação instaladas em municípios paulistas. Além da redução com custos de frete, as indústrias deixariam de pagar Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
No ano passado, a indústria registrou a venda de 18,39 milhões de sacas em todo país, das quais 35% foram de café robusta. Como São Paulo concentra 40% da industrialização nacional o Estado é obrigado a “importar” a variedade do Rondônia, Bahia e Espírito Santo.
“Essa é uma oportunidade de negócios para a cafeicultura paulista, mas também uma redução de custos para a indústria”, afirma Nathan Herszkowicz, diretor- executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).
Ele lembra que, além da indústria do café torrado usar robusta para compor o blend com o arábica, em São Paulo estão algumas das principais empresas de café solúvel, que têm no robusta sua principal matéria-prima. “A Nestlé está instalada em Araras, e a unidade é a maior indústria de solúvel do país”, lembra.
Segundo Herszkowicz, as regiões para onde o robusta está se expandindo já produziram café no passado e têm uma infraestrutura preparada para a atividade. A produção, no entanto, era da variedade arábica, que acabou deixando de ser economicamente viável quando os custos para o combate do nematoide – parasita que se instala na raiz das plantas de onde se alimenta – subiram a patamares insustentáveis. (AI)
CONTEXTO
O noroeste paulista já foi uma importante região produtora de café na década de 1920. A crise de 1929, provocada pela quebra da bolsa de Nova York, no entanto, fez com que a cafeicultura da região entrasse em decadência a partir dos anos 1930. A crise fez com que boa parte da produção de café migrasse de São Paulo para o Paraná, atingindo na década de 1950 seu auge no Estado do Sul. Contudo, a forte geada que atingiu os cafezais paranaenses em 1975 provocou uma nova crise na atividade. Os cafeicultores que sobreviveram decidiram migrar novamente e passaram a produzir o grão no sul de Minas Gerais, Estado que até hoje é o maior produtor nacional. “Havia um desprezo do robusta por parte daqueles que produziam o café arábica. Há tempos se fala em plantar o robusta em São Paulo. Com um custo de produção menor e bem mais produtiva, a variedade começa a chegar agora”, afirma Luiz Suplicy Hafers, tradicional cafeicultor e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).
Valor Econômico

