No final da década de 1980, o brasileiro desconhecia o sabor de um café expresso. Naquela época, restaurantes não cobravam pela bebida, que era armazenada em garrafa térmica. No fim dos anos 1990, o conceito de café especial moído na hora já era realidade em algumas casas, mas não representava nem um traço nas vendas gerais de café no país. Hoje, quase uma centena de indústrias torrefadoras, a exemplo de Café do Centro, Astro Café e Baggio Coffees, cresce dois dígitos ao ano, de carona no aromático rastro deixado pelo café gourmet nas principais capitais brasileiras. Em 2009, o produto gourmet respondeu por 7%de todo o café consumido no país em valor, o equivalente a R$ 470 milhões de um total de R$ 6,8 bilhões comercializados por esse mercado. Neste ano, a bebida de nicho poderá movimentar R$ 570 milhões, segundo as apostas de Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Apesar da forte concorrência, Rafael Branco Peres garante que ainda há muito espaço para crescer no Brasil. “Na Itália, a penetração é de aproximadamente 40%”, afirma. Em volume, a taxa do Brasil é de 5%. Umdos canais onde o Café do Centro mais cresce é no food service, que abastece de hotéis a cafés. As vendas nesses clientes avançaram 40% em 2009 e devem se repetir em2010. A expansão é outro caminho traçado pela empresa, que vende diretamente em São Paulo e tem dez distribuidores emoutros estados. Até o início do ano, sua presença em Porto Alegre era inexpressiva. Com um distribuidor na capital gaúcha, agora o Café do Centro comemora a conquista de 30 clientes por mês. O próximo passo é desbravar Salvador.
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