O município de Colatina, noroeste do Estado, já conta com aproximadamente quatro mil caixas secas. Atualmente, os trabalhos de manutenção estão concentrados em três comunidades da Bacia do Rio São João Pequeno, mas segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (Semder), eles já estão sendo concluídos. A intenção da Secretaria é que tão logo termine de atender à Bacia, as equipes de construção e manutenção de caixas sejam enviadas para a região da Bacia do Rio Baunilha.
O processo de limpeza das caixas foi iniciado em abril, devido à necessidade de mantê-las preparadas para armazenar a quantidade de água prevista pelo projeto de caixas secas, que faz parte do Programa de Uso e Conservação de Solo do município. Foi implantado no ano passado para armazenamento e aproveitamento da água da chuva, como alternativa para minimizar os impactos causados pela seca intensa que atingiu as lavouras das regiões em 2007 e 2008.
O Programa é desenvolvido por meio de parcerias entre a Prefeitura, agricultores e os Institutos de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e Federal do Espírito Santo (Ifes).
Segundo informou o secretário José Izidoro Rodrigues, em média é necessária apenas uma hora de máquina para fazer uma caixa. “O trabalho consiste na abertura de um buraco na lateral de uma estrada, que deve estar situada em terreno elevado na propriedade, que vai captar a água da chuva e facilitar a sua distribuição. O restante do serviço, que são a distribuição e a manutenção dos leitos dos recursos hídricos, fica por conta da própria natureza”.
Conforme o secretário explicou, em geral o buraco tem um tamanho padronizado e capacidade de armazenar cerca de 10 mil litros, mas o que determina mesmo a sua profundidade e largura é a geografia de cada local, conforme os estudos técnicos realizados na propriedade. Além dos cálculos para definir o dimensionamento, também são consideradas as informações pluviométricas dos últimos anos.
As primeiras foram construídas em São João Pequeno, uma das regiões de maior concentração de produção cafeeira, e mais prejudicada com a seca. Só no ano passado foram construídas aproximadamente três mil caixas nas estradas das propriedades rurais, que exigiram milhares de horas de trabalho feito com máquinas retroescavadeiras.
Uma outra vantagem apontada é a possibilidade das propriedades poderem ter mais de uma caixa, bastando apenas que haja interesse do agricultor. Em média, de 30 em 30 metros pode ter uma, mas tudo vai depender também do tamanho da estrada. A proposta de criação do projeto surgiu no Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS). Até então ele existia de forma isolada, devido a insuficiência de recursos municipais.
Campo Vivo

