Produtores de diferentes estados brasileiros estão se unindo para criar o selo nacional de comércio justo. A informação foi dada pelo diretor-técnico do Sebrae no Rio Grande do Norte, João Hélio, na quarta-feira (9), durante a solenidade de abertura do II Seminário Internacional do Comércio Justo. O evento, realizado na quarta-feira, em Mossoró (RN), faz parte da programação oficial da Feira Internacional de Fruticultura Irrigada (Expofruit), que foi aberta nessa quinta-feira (10), às 18h, no campus da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).
O Sistema Brasileiro de Comércio Justo e Solidário classifica como comércio justo e solidário o fluxo comercial diferenciado que fortalece os empreendimentos econômicos e solidários, rurais e urbanos. Na prática, significa uma relação comercial justa, de co-responsabilidade entre as partes envolvidas, ou seja, trabalhador, comprador e consumidor. Para discutir e esclarecer a temática, o Sebrae no estado promoveu durante toda esta manhã diversas palestras, ministradas por especialistas em Comércio Justo – Fair Trade. Na ocasião, João Hélio destacou a importância do momento para discutir a questão como alternativa de potencializar as atividades econômicas, como a fruticultura potiguar.
De acordo com o diretor, as primeiras conversas sobre a criação da certificação nacional tiveram início no I Seminário Internacional do Comércio Justo, ocorrido em maio deste ano, no Rio de Janeiro. A idéia, segundo ele, é juntar um grande grupo de produtores de diferentes estados em um único selo fair trade com a certificadora alemã Fair Trade Labelling Organizacions Internacional (Flo-Cert).
“As cooperativas, associações e produtores interessados já estão se organizando. A ação dará mais força e unidade aos produtores, que passam a ter reforçada sua representatividade para exigir do governo a aceleração do processo de normatização do Comércio Justo no Brasil”, disse.
Ainda segundo o diretor, esse modelo conjunto já vem dando certo em 21 países, entre os quais África do Sul, Estados Unidos, Canadá e México. Membros desses países vão dar apoio ao Brasil a partir de depoimentos de suas experiências, no processo de implantação do selo nacional. A exemplo disso, o diretor da Transfair (entidade parceira da Flo-Cert), Hungs Tshibemba, do Canadá, palestrante do evento, afirmou que o comércio justo é uma realidade internacional. Ele destacou que 110 países trabalham hoje com o conceito do conceito do comércio justo, por meio de 50 organizações com produtos certificados.
“A proposta é disseminarmos o máximo possível o conceito de comércio justo entre as pessoas. Levar informação ao consumidor. Atualmente somos uma família global, com 21 integrantes. Nosso trabalho é fazer com que o produto do comércio justo seja anunciado de forma eficiente. Para isso, fazemos campanhas na internet, na mídia em geral, e garantimos a colocação dos produtos nas prateleiras dos supermercados”, afirmou Hungs.
Para ele, no Brasil também deve haver uma iniciativa nacional, fazendo com que produtores e grupos de consumidores se unam para promover produtos e serviços do comércio justo. “Isso vai dar maior escala de venda dos produtos”, finalizou.
Agência Sebrae de Notícias

