ARTIGO – A tragédia dos outros pode ser a nossa?

por admin_ideale

 


A tragédia que se abateu nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói, cujas vidas ceifadas já se aproximam de 2 centenas, sem contabilizar os desaparecidos nos deslizamentos, escombros e cursos d´água. É um momento de comoção nacional e internacional  com a fatalidade.


Mas também é momento de pensar, criticamente, nas políticas públicas relacionados ao uso do solo urbano, que orientam e fiscalizam, pelo menos deveriam, a expansão das construções sobre área indevidas e de risco.


Também é momento de pensar criticamente a aflição por moradia de milhões de pessoas e famílias de boa fé no Brasil e milhares no Espírito Santo que vão ocupando, invadindo e construindo em áreas de risco. Não podemos deixar de denunciar também as iniciativas similares mas que partem de pessoas e grupos de má fé, que incitam ocupações irregulares, que promovem a especulação imobiliária, enfim, que se beneficiam privativamente com tais irregularidades e crimes ambientais e urbanos.


Será que continuaremos até quando com a insanidade de obstruir as redes de drenagem de chuvas com lixo? Ou de seguir impermeabilizando todo o solo com asfalto e concreto?


E as tantas movimentações de terra, abertura de estradas, desmate de vegetação ciliar sem o menor critério nas áreas rurais. Nesta semana, pela segunda vez em menos de um ano, a captação de água no rio Santa Maria da Vitória foi interrompida pela Cesan. O motivo foi justamente o excesso de barro que assoreava o rio e que impedia o tratamento da água. Quase 600 mil pessoas da Grande Vitória que utilizam tal água foram prejudicadas. Assoreamento também é fator determinante para transbordamentos e alagamentos, já que os leitos dos cursos d´água ficam tomados pelos sedimentos.


A soma dos efeitos da degradação ambiental, tais como as mudanças climáticas e alterações no regime de chuva somados ao colapso do uso e ocupação do solo nas cidades não para de produzir desgraças. Estamos sensibilizados agora com o Rio e Niterói, mas há bem pouco ficamos estarrecidos com Angra dos Reis, um pouco mais atrás, com Santa Catarina. Qual capixaba, que viveu nos anos 80, consegue não lembrar da tragédia do Morro do Macaco, em Vitória.


E aqui na região serrana ou na região metropolitana, no norte ou sul do Espírito Santo. O que espera por nós. Nas tantas cidades, indistintamente, o que vemos? Construções, casas, bairros surgindo sistematicamente em áreas de risco. O que tem feito o Poder Público, efetivamente? E a sociedade? Faz de conta que o problema não existe?


Rezemos pelas almas perdidas nas cidades do Rio de Janeiro e de Niterói. Amém!


 


Fabrício Ribeiro


jornalista

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