Fusão de cooperativas de leite para beneficiar produtor rural

por admin_ideale

 


A união de cooperativas pode reduzir despesas, aumentar a competitividade do setor e valorizar o trabalho do produtor.

As cooperativas concentram o braço comercial do produtor rural. São elas as responsáveis por escoar a produção agropecuária, preocupando-se na busca por compradores e por melhores preços para os produtos.

Os produtores plantam, criam, colhem e produzem com a finalidade de obter lucro com a saída de sua produção. Mas, por não terem meios eficientes para isso, vendem seus produtos às cooperativas, que, com a concentração de mercadoria, conseguem fazer negócios mais vantajosos.


Produtores rurais insatisfeitos

No Espírito Santo, muitos produtores de leite não estão satisfeitos com o que recebem das cooperativas. Hoje, muitos reclamam que ganham pouco pelo litro de leite, enquanto as cooperativas lucram com a venda de produtos com valor agregado, como iogurte, doce de leite, coalhada e manteiga.

“O que o produtor recebe pelo litro de leite está abaixo dos custos necessários para seu sustento. Não dá pra viver só dessa produção”, afirma o produtor de Cachoeiro de Itapemirim, José Onofre Lopes, que também produz café e trabalha com contabilidade.

“Se eu não tivesse outra atividade, não teria como sobreviver”, diz. Ele recebe R$0,61 por litro, o que lhe resulta em receita em torno de R$2,4 mil mensais. O valor mal é suficiente para suprir as despesas com funcionários, materiais e outros gastos. Os custos de sua produção ultrapassam os R$ 2 mil.


O que pensam as cooperativas

Quando questionado sobre a reclamação dos cooperados em relação aos valores recebidos pelo litro de leite, o presidente eleito da Cooperativa Veneza, José Carnieli, creditou a razão do valor pago ao pecuarista a uma série de fatores.

“O sistema recebe o leite do cooperado, transforma em produto, deduz despesas, que sofrem impactos de fatores climáticos, mercado externo e câmbio, e o que sobra paga ao produtor. Não lucramos com isso”, diz.

O presidente da Comissão Técnica de Leite da Faes, Rodrigo Monteiro, afirma que as cooperativas no Estado trabalham de maneira individual. Várias cooperativas precisam fazer o mesmo percurso para transportar o leite, mas cada uma utiliza seu próprio veículo, ao invés de compartilhar o transporte. Assim, muitos caminhões andam com sua capacidade ociosa, gerando custos desnecessários.

De acordo com Rodrigo Monteiro, um dos fatores que prejudica a comercialização de leite e acaba por afetar o bolso do produtor rural é a falta de planejamento eficiente e do exercício de racionalização.

“Se as cooperativas trabalhassem integradas, o produtor poderia ser mais valorizado. Está na hora das cooperativas capixabas se unirem na formação de uma central de cooperativas para captação do leite. Caso contrário, haverá o risco de uma indústria de fora vir para cá e dominar o mercado”, declara Monteiro.


Fusão

Outros estados do país estão atentos à importância do trabalho integrado. As maiores centrais de cooperativas de leite do Brasil – Itambé, Centroleite, Confepar, Cemil e Minas Leite, estão articulando uma fusão para fortalecer os negócios e reduzir custos.

A união de suas operações pode criar a maior cooperativa de leite da América Latina, com a captação de sete milhões de litros de leite por dia, e lhes render um faturamento de cerca de R$ 4 milhões por ano.


Para o presidente da Comissão Nacional de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, essa fusão é muito importante para a competitividade do setor, mas já vem tarde.

“O Brasil já deteve 60% da captação de leite em cooperativas, mas hoje somente 40% da produção é captada por ela. O valor é muito baixo se comparado ao maior produtor de leite do mundo, os Estados Unidos, que captura 84% da produção em cooperativas. Essa fusão já deveria ter acontecido há muito tempo para evitar despesas e proporcionar tranquilidade ao setor rural”, assegura Alvim.





Iá Comunicação

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