Maracujá protegido

por admin_ideale

 


A produção de maracujá é uma atividade importante principalmente para pequenos agricultores. O retorno financeiro costuma ser muito bom. Mas o aparecimento de determinadas pragas e doenças pode virar uma catástrofe para o produtor. Existem técnicas de manejo que estão sendo aplicadas no oeste de São Paulo para evitar que isso aconteça.

Os municípios da região oeste de São Paulo são responsáveis pela metade da produção de maracujá comercializada na Ceagesp, Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo. São centenas de pequenos produtores que destinam parte de suas terras para erguer os parreirais.

Esse é o caso do seu Hiroshi Hirae, cujo sítio fica no município de Presidente Epitácio. São 17 hectares onde a família dele produz leite e maracujá. Eles cultivam 1,3 mil pés que ocupam 1,5 hectare do sítio. A safra vai de janeiro a junho. Nesta fase é possível colher maracujá semanalmente, o que permite uma renda sempre constante.

Depois da colheita os frutos vão para o barracão onde são selecionados. O seu Hiroshi está animado com o resultado da lavoura de maracujá. “O maracujá está sendo um dos melhores produtos”, disse.

O preço varia de R$ 35 a R$ 45 a caixa. Mas nem tudo são flores. Quem cultiva o maracujá tem de se preparar muito bem para enfrentar as pragas e doenças da cultura.

O seu Moacir Oliveira, vizinho do seu Hiroshi, cultiva mil pés de maracujá e hoje vive o drama de ter que abandonar a cultura por causa da fusariose, uma doença causada por um fungo que está destruindo a plantação.

A fusariose é uma doença tão terrível para o maracujá que em muitas áreas não tem remédio. Quando ela ataca, mata a planta.

O extensionista João Barreto, do Itesp, Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, disse que a área está condenada para o plantio de maracujá. Não há como combater o fungo, que se instala no solo e sobe para a planta através das raízes.

“Para aproveitar o esterco que está no chão eu vou ter que plantar outra cultura, como a abóbora”, falou seu Moacir.

“Ele também pode plantar quiabo ou mamão. Ele terá de ficar de 15 a 20 anos sem plantar o maracujá nesta área”, avisou seu João.

Mas mesmo quem não tem o solo contaminado pelo fungo deve se precaver contra outras doenças do maracujá, como a bacteriose, uma bactéria que causa a desfolha da planta.

Para evitar a entrada dessa doença a recomendação é o uso de quebra-vento. O seu Hiroshi usa o capim napier em volta de toda a plantação. É ele que protege a planta da ação do vento que provoca lesões nas folhas abrindo a porta para as doenças.

“Quando o agricultor vai fazer o plantio do maracujá, tem que pensar primeiro no quebra-vento. O napier tem um porte alto e dá uma boa proteção. O vento bate nele e passa a cultura do maracujá. O maracujá tem um porte de cerca de 1,80 e o capim tem um porte de quatro metros”, esclareceu seu João.

Outra preocupação dos produtores de maracujá é o pulgão, inseto que suga as plantas e transmite um vírus que provoca o enrugamento das folhas e impede o desenvolvimento dos frutos.

O pulgão tem um inimigo natural que é a joaninha, mas sozinha ela não dá conta do recado. Para controlar o ataque do pulgão o engenheiro agrônomo Nobuyoshi Narita, pesquisador da Secretaria da Agricultura de São Paulo, está introduzindo uma técnica para evitar a exposição das mudinhas novas de maracujá durante o período de maior infestação das lavouras pelo pulgão.

“Na nossa região temos observados que as maiores revoadas ocorrem na entrada do inverno, justo quando estamos colocando essas mudas no campo. Agora, estamos levando as mudas em agosto”, esclareceu o agrônomo.

O processo de produção das mudas começa com a escolha de frutos sadios. As sementes são retiradas, despontadas e encaminhadas para viveiros especializados. Eles fazem a germinação e o enraizamento das mudinhas. Mas a manutenção delas até atingir o tamanho ideal de ir para o campo fica a cargo dos produtores.

O seu Hiroshi recebe as mudinhas na bandeja, já enraizadas e prontas para serem transplantadas em saquinhos onde ficam até atingir o tamanho de ir para o campo.

No sistema antigo os produtores terminavam a colheita e deixavam os parreirais no campo para produzir uma nova safra no ano seguinte. Com a nova técnica, os pés são renovados anualmente, com mudas sadias.

João Barreto, encarregado de transmitir o conhecimento aos produtores, diz que o resultado de tudo isso já pode ser avaliado no campo. “Antes entrava com cerca de duas a três aplicações por semana de fungicida para não deixar entrar a doença. Hoje, só se faz esse controle. Tudo é decorrente à mudança do plantio que não foi efetuado nessa cultura”, disse.

Hoje, a redução do uso de fungicidas e inseticidas é de 70%. Com isso, todos saem ganhando, inclusive o beija flor, construiu seu ninho na sombra da parreira de maracujá.

A técnica de plantio de mudas em estufa foi desenvolvida para os produtores do vale do Paranapamema, em São Paulo, mas pode ser usada também em outras regiões. Basta adaptar o plantio para o clima do lugar.


                                                                                                   


Globo Rural

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