Produtores de café do Rio não acreditam que zoneamento recupere plantio

por admin_ideale

 


O presidente da Associação de Cafeicultores do Rio de Janeiro (Ascarj), Efigênio Salles, não crê que o zoneamento do café que vem sendo feito pela Embrapa Solos para o estado possa recuperar o plantio do grão no centro-sul fluminense. A região foi pioneira na atividade cafeeira no país e centro irradiador para outros estados.

Em entrevista à Agência Brasil, Salles afirmou que não vê possibilidade de retorno de produção nessa área, “exatamente porque a área foi a que produziu café no tempo do Império. Essa área deixou de produzir quando a industrialização chegou ao longo do Rio Paraíba do Sul, com a instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Quando aquilo virou uma região industrializada, absorveu toda a mão de obra do café”.

O presidente da Ascarj não acredita, por isso, que o cultivo do café possa ser recuperado no sul do estado. A produção fluminense, estimada pela associação para este ano, é de cerca de 350 mil sacas de 60 quilos cada. “Não existe comparação com a produção registrada nos tempos áureos do café no país, quando a atividade cafeeira sustentava o Império”, disse Salles. “Era a maior riqueza do país. A produção naquela época era milhares de vezes maior. Isso [a produção estimada para o Rio] hoje é inexpressivo perto do que era na ocasião”, acrescentou. Do total produzido hoje, 70% estariam concentrados nas regiões serrana e noroeste do estado.

De acordo com a Ascarj, o setor gera em torno de 10 mil postos de trabalho diretos e 30 mil indiretos no Rio. Um dos aspectos da importância econômico-social do café é a geração de emprego, afirmou Salles. “É empregar gente, porque aqui é toda uma cafeicultura de montanha, toda em cima da mão de obra. Não há praticamente mecanização no processo da produção”. A tecnologia é usada a partir da colheita, beneficiamento e rebeneficiamento quando se trata de exportação, informou.



 


Agência Brasil

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