A primeira notícia desta quarta-feira, 13 de janeiro, teve o gosto da lágrima. O mesmo gosto do soro caseiro, tantas vezes ensinado e divulgado na teve, com desempenho de atores globais, como Lima Duarte. Um copo de água fervida, duas medidas de açúcar e uma pitada de sal: o soro caseiro tem o gosto da lágrima.
Certamente, todos que conheciam, mesmo que à distância, o trabalho da Pastoral da Criança, lamenta a morte da Drª Zilda Arns Neumann, a gestora-mor desta grande rede do voluntariado que, apoiada pela CNBB, não discriminou crenças e opções religiosas, em favor das gestantes e das crianças subnutridas, doentes, com diarréia, tudo para reduzir a mortalidade infantil.
Avançou do âmbito nacional ao internacional, alcançando 22 países na sua cruzada humanitária de solidariedade e dedicação aos mais pobres.
Tampouco discriminou ideologias e cores partidárias, mantendo sempre o princípio da fé e da ética para salvar crianças e educar as mães, com informações básicas sobre higiene, alimentação e saúde.
Sempre valorizou as experiências públicas positivas, integradas às comunidades e de baixo custo, contribuindo com propostas e sugestões valiosas para o aprimoramento dos serviços públicos de atenção básica à saúde.
Não por acaso, quis o designo de Deus, que Zilda Arns tombasse na tragédia do Haiti, onde reina a pobreza absoluta em sua forma mais perversa de agressão humana: a desesperança.
Não tenho dúvidas quanto à continuidade do trabalho da Pastoral da Criança, que se estendeu para as mães e os idosos pobres, fazendo tostões em despesas virar milhões nas mãos de 200 mil voluntários no Brasil e mais de 300mil nos 22 países em que atuam.
Resta, agora, aos que ficaram, e especialmente aos líderes internacionais, políticos, religiosos e das organizações sociais, ajudarem a reerguer o Haiti, num mutirão mundial, para devolver a esperança a seu povo sofrido.
Nesse esforço internacional, o gosto da lágrima não virá, tão somente, das lembranças de Zilda Arns, mas da alegria, que ela sempre transmitiu, no exercício da caridade e da solidariedade humana. Zilda Arns merece o reconhecimento internacional e o povo do Haiti a generosidade mundial. Esta será a melhor forma de devolver a esperança a nós mesmos.
Wolmar Roque Loss
Membro do ITV-PSDB

