Produtores da Região Sul Caparaó estão experimentando uma técnica pouco utilizada por agricultores que investem na cultura do café: o consócio do carneiro com café. Sendo assim, o Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) avalia o método para possíveis adoções no meio rural.
A técnica é chamada de consócio do carneiro com o café, que utiliza o animal na lavoura para a limpeza do fruto, adubação do solo, e também diminui a agressão ao ambiente local. O produtor, além de diminuir despesas, pode ter uma outra opção de renda, a Olericultura.
Segundo o engenheiro agrônomo do Incaper de Cachoeiro de Itapemirim, Paulo Shalders, “quem ganha com isso é o produtor e o meio ambiente. Primeiro porque diminui as despesas com herbicida (veneno que mata as ervas daninhas) e com mão de obra; e o segundo, pelo fato do animal não causar impacto no solo, já que se alimenta de plantas daninhas”, afirma.
O engenheiro agrônomo do Incaper de Alegre, Fabrízio Raggi Abdallah ressalta que o solo já está bastante degradado pelo excesso de capina e pelo método de controle químico de plantas daninhas. Desse modo, “ o consócio busca fazer o controle físico do mato, agregar peso ao carneiro e alimentá-lo para fazer uma adubação no plantio”.
Em Cachoeiro de Itapemirim, Vargem Alta e Alegre há casos de produtores que estão experimentando a técnica, e o Incaper tem acompanhado e orientado sobre métodos literários para a adoção da prática, que ainda é pouco desenvolvida e não existem experimentos que confirmam totalmente que a ação é apropriada para a plantação.
Paulo comentou que, de acordo com a experiência inicial dos produtores da região, o método está sendo bem aceito e pode até mesmo gerar um lucro equivalente a oito sacas de café por ano. Mas ainda assim, o trabalho de comercialização do carneiro é burocrático, o que pode dificultar a adoção. Desse modo, o escritório local da região tem avaliado a introdução de cursos que tornem a técnica mais conhecida.
Glícia Gagno

