Os criadores de gado e de búfalo do Espírito Santo têm à disposição mais um reforço para combater a presença da Brucelose nos animais. Nesta quarta-feira (23), o Governo do Estado confirmou o investimento de R$ 720.9 mil para financiar ações que garantam a vacinação em quantidade suficiente para controlar e erradicar a presença da doença no rebanho capixaba.
Com os recursos, serão executadas ações que garantam a vacinação de 85% dos animais, ininterruptamente entre os anos de 2010 e 2014, que apresentam risco de contaminação. São eles as fêmeas com idade entre três e oito meses, o que totaliza aproximadamente 171 mil animais. Com a erradicação, o Espírito Santo será o segundo estado do Brasil a conquistar a chancela de zona livre de brucelose, até então existente apenas em Santa Catarina.
Inicialmente serão contratados 50 profissionais em Saúde Animal, para executar os serviços em todas as regiões do Espírito Santo. Os recursos vão financiar a aquisição de 50 motocicletas, vacinas, 50 geladeiras para estocagem das vacinas na sede de cada sindicato rural, gelo e material para transporte das vacinas até as propriedades, material de trabalho completo para os agentes. Além disso, o programa estabelece ainda a capacitação de criadores de gado e a ampliação da fiscalização e da defesa sanitária animal.
O ato contou com a participação do vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço, do secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, dos diretores presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Evair Vieira de Melo, e Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), Aladim Fernando Cerqueira, do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, do superintendente Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Arnaldo de Alencar, e o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB-ES), Esthério Sebastião Colnago.
“O Espírito Santo é um importante produtor leiteiro, e esse convênio vem somar a questão da sanidade animal à renda dos produtores, principalmente dos que dependem da agricultura familiar. Temos uma meta ousada, mas temos a certeza de que com trabalho árduo e com a ajuda dos parceiros que firmaram esse acordo vamos conseguir até 2014 erradicar a brucelose e tornar o Estado uma zona livre de vacinação contra essa zoonose”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, que ressaltou ainda que em 2010 o Governo do Estado vai confirmar outros importantes investimentos para o setor, como a aquisição de tanques de resfriamento de leite e a disponibilização de sêmen de animais geneticamente superiores destinados à melhoria da qualidade do rebanho bovino capixaba.
Para o presidente da Faes, Júlio Rocha, essa também é uma vitória para o consumidor. “Esse é um grande projeto para o fortalecimento da pecuária capixaba e cuidando da sanidade animal todos saem ganhando, principalmente o consumidor”, avaliou.
O vice-governador Ricardo Ferraço destacou que essa ação representa mais um passo importante, que vai necessitar do apoio dos produtores rurais. Ele aproveitou para agradecer a essas parcerias, muito importantes para o sucesso dos programas e projetos do Governo do Estado. “Produtores, federações, associações, dirigentes públicos, quero saudar a todos pelo esforço e suporte para criarmos condições e chegar aos avanços para a população do campo capixaba. Aos poucos, vamos criando melhores condições de trabalho e qualidade de vida para os nossos cidadãos em todos os municípios”, disse.
No Espírito Santo a média de cobertura vacinal obtida nos últimos nove anos, anteriores a 2003, foi de 34%. Já a partir de 2003, quando a vacinação tornou-se obrigatória, este percentual passou para 40%. A partir de 2008 houve um incremento bastante significativo, quando a cobertura vacinal atingiu 59%. Tal fato se deve a ações de controle do trânsito de animais, que impossibilitou a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) de bovinos, sem a comprovação de vacinação das bezerras da propriedade de origem.
A vacinação, que é obrigatória, deve ser realizada em todas as bezerras na faixa etária de risco e o animal deve ser identificado com uma marca no lado esquerdo da face com a letra V, acompanhada do número final do ano em que ocorreu a vacinação. Além disso, devem ser feitos exames no rebanho ao menos duas vezes por ano.
É importante ainda que não se permita a entrada de animais doentes na propriedade e que só sejam comprados animais com atestado negativo de brucelose ou com atestado de vacinação assinado por médico veterinário oficial, cadastrado ou habilitado.
A doença
A Brucelose é uma doença infectocontagiosa, provocada por bactéria e que acomete, com mais freqüência, os bovinos e bubalinos, podendo também ser transmitida aos seres humanos. Através dos laticínios não pasteurizados. Ela é responsável por grandes prejuízos no rebanho nacional de bovinos e bubalinos, devido ao aborto, redução da fertilidade e conseqüente queda na produção leiteira. As seqüelas nos animais são o aborto entre o sétimo e oitavo mês de gestação, retenção de placenta, infecção uterina, artrites e inflamação dos testículos.
O homem pode contrair a brucelose através do consumo de leite cru ou mal fervido e derivados preparados com leite contaminado pela Brucella, que não passou por tratamento térmico, onde a bactéria pode sobreviver durante vários meses. A Brucelose tem caráter de doença ocupacional sendo que o grupo de maior risco é constituído por pessoas que lidam diretamente com animais infectados (proprietários, ordenhadores, médicos veterinários) e os que manipulam produtos de origem animal como funcionários de matadouros, laticínios, açougues e laboratórios. Os males são a febre recorrente e o aborto em mulheres.
Eduardo Brinco

