Simples e com qualidade Produtor de café de Vila Pavão implanta em sua lavoura tecnologias conhecidas e, com dedicação, vence concurso de qualidade do conilon
É no pacato e aconchegante município de Vila Pavão, localizado no noroeste capixaba, que mora o produtor de café David Pagung, vencedor do VI Concurso Conilon de Excelência da Cooabriel. Descendente de pomeranos, como a maioria dos habitantes de Vila Pavão, Pagung concorreu este ano pela terceira vez no concurso realizado anualmente, desde 2004, pela Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel para dar continuidade ao programa de incentivo à qualidade do conilon produzido pelos sócios. Na primeira vez que participou ficou em terceiro lugar, uma surpresa para ele mesmo. “Participei para saber como meu café seria avaliado. Queria ter uma noção da qualidade do café que produzia”, lembra o produtor. No segundo ano que concorreu teve um resultado menos positivo e, com isso, procurou seguir as orientações técnicas e corrigir os erros que havia cometido no processo de produção. Em 2009, o resultado da sua paixão pela lavoura de café apareceu, vencendo mais de 80 produtores cooperados da Cooabriel que participaram da disputa. “O produtor tem que gostar do que faz e o David gosta de café”, afirma o administrador rural do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) de Vila Pavão, Rogério Durães.
Foi seguindo as recomendações do instituto capixaba, e com a relação particular que vive diariamente com a sua plantação, que Pagung conseguiu alcançar um patamar superior de qualidade do seu produto. “Não fiz nada de especial. Fiz o que todos devem fazer”, destaca. O produtor explica que a escolha de mudas de qualidade foi o começo de tudo. Ele plantou a variedade Vitória, lançada pelo Incaper, em 3,6 hectares. “Muitos produtores utilizam só dois clones da variedade Vitória na lavoura, mas a recomendação correta é plantar os 13 clones que compõe a variedade”, ressalta Durães. Com espaçamento de 3,0m x 1,2 m, o produtor plantou cada clone em linha. Assim, ele consegue planejar a colheita e a secagem do seu café. “Esse método é muito importante, pois possibilita uma colheita uniforme do grão e de forma planejada”, diz o administrador rural. O cafeicultor cuida de todo o processo de produção. Irriga, limpa, aduba. Esta última etapa, baseado em análises do solo e das folhas, ele alimenta a lavoura de acordo com as suas necessidades. “A planta (variedade Vitória) tem potencial. Então, temos que dar condições para esse potencial se desenvolver”, alerta Durães.
A colheita do café premiado foi feita no momento certo, com os grãos maduros. “Toda fruta madura é mais gostosa”, exemplifica o produtor, mostrando a importância de não colher o café verde. À medida que o café ia sendo colhido, Pagung levava o produto para o seu terreiro de cimento, onde espalhava e mexia o café para secar. “A estrutura de cimento possibilita uma maior qualidade do grão, porque as impurezas são bem menores do que no terreiro de chão”, afirma o produtor, que, em menos de quatro horas depois de colhido o café, levou os grãos para o terreiro. A secagem do lote de café demorou cerca de 15 dias, tempo que depende das condições climáticas. De acordo com o cafeicultor, para que seja mantido o padrão de qualidade do produto é necessário o mesmo cuidado na hora de armazenar os grãos. “O café absorve cheiros que interfere na sua qualidade. Então, o produtor precisa limpar bem o paiol para armazená-lo”, diz Pagung.
As técnicas utilizadas no cafezal do Sítio Pagung são simples e recomendadas pelos profissionais do setor agrícola. A atenção em cada etapa é o início para produzir café de qualidade, porém a mesma fórmula utilizada em um local pode não ser tão eficiente em outra região. “Os produtores utilizam as tecnologias, mas, às vezes, de forma errada, sem seguir as orientações técnicas para adubar, irrigar, etc.”, avalia Durães.
O prêmio que David ganhou no concurso pode ser observado na sala da sua casa e na lavoura. Além do troféu, o produtor recebeu 38 sacas de café e 40 de adubo, além de uma fornalha, que foi utilizada na aquisição de uma máquina separadora de café. Tudo foi reinvestido para aumentar a qualidade de seu café na próxima safra. Com isso, ele espera conseguir um valor maior na venda da saca de café, como aconteceu este ano. “Recebi da Cooabriel, na venda do lote de café premiado no concurso, 12% a mais do valor de mercado”, diz.
A simplicidade e a cordialidade observadas em David em alguns minutos de conversa resumem a maneira com que ele cultiva o seu café conilon, resultado de trabalho, informação e amor.
Redação Campo Vivo
por Franco Fiorot

