O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, em entrevista exclusiva ao Portal Coffee Break, confirmou que o consumo interno da bebida ficará além do projetado inicialmente. “Tínhamos uma expectativa conservadora para um crescimento em torno de 3%, o que nos levaria para cerca de 18 milhões de sacas (consumidas). Mas o acompanhamento mensal que realizamos, com um grupo de empresas representativas no consumo nacional, está mostrando que esse número pode ficar entre 6% e 8%, o que é surpreendente para um ano como este. Com isso, chegaríamos a 18,3 ou a 18,5 milhões de sacas”, apontou.
Questionado se a estagnação nos preços do café nas gôndolas e prateleiras seria um motivador para esse crescimento surpreendente do consumo, ele negou. “O preço do café nas gôndolas não influi no consumo no Brasil, inclusive porque os preços nas prateleiras dos supermercados brasileiros estão estáveis há pelo menos quatro anos. O valor que existe hoje, entre R$ 9,50 e R$ 10 por kg, ou entre R$ 4,50 e R$ 5,20 por pacote de 500 g, é o mesmo há quatro anos e, nesses quatro anos, o consumo continuou fluindo”, explicou.
Nathan anotou, ainda, que o café é, atualmente, um produto muito barato para os consumidores, pouco tendo evoluído de preço ao longo dos 15 anos do Plano Real. “Portanto, não há influência do preço. O que houve, no Brasil, foi um efeito interessante de não se afetar o consumo. Ou seja, o consumo no Brasil não foi atingido pela crise”, reiterou.
O diretor-executivo da Abic recordou que os produtos e setores que tiveram incentivo do Governo Federal apresentaram desempenhos bastante positivos. “Os automóveis tiveram vendas recordes, a construção civil se recuperou, além de móveis e eletrodomésticos, os quais, com a redução de carga tributária, tiveram aumentos”, contou.
Ele lembrou, também, que os outros produtos, como alimentos, bebidas e perfumaria, que não tiveram incentivo governamental, não apresentaram redução no consumo, pelo contrário, tiveram aumento. “O brasileiro mostrou que continuava com poder de compra, com dinheiro no bolso, e continuou consumindo”.
Nathan citou dados que comprovam o supracitado. “Perfumaria, por exemplo, cresceu 18%. Em outubro, os supermercados tiveram uma venda 6% maior do que no mês anterior. A gente sabe disso consultando dados da ABRAS e da APAS”.
Finalizando, o diretor-executivo da Abic reiterou que, no caso do café, o aumento do consumo não foi efeito de preço. “Simplesmente observamos um fenômeno de que os brasileiros continuaram consumindo tudo durante o período da crise, e não apenas o café”, concluiu.
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