Índices Cepea mostram perda da competitividade das exportações do agronegócio

por admin_ideale

 


Pesquisadores do Cepea que elaboram índices de exportação do agronegócio estimam que duas tendências devem predominar nesse setor, uma negativa e outra positiva. A primeira delas é que o Real deve permanecer forte e a outra, que há fundamentos para preços internacionais se manterem em níveis considerados bons, ainda que abaixo dos picos de meados de 2008, “claramente insustentáveis” na avaliação de Geraldo Barros, professor titular da Esalq/USP e coordenador científico do Cepea. Apesar de preços firmes em dólar, as análises contínuas do Centro sinalizam que isso pode não ser suficiente para evitar perda da competitividade do produto nacional.


No terceiro trimestre deste ano, por exemplo, os índices de exportação calculados pelo Cepea mostram que a valorização do Real superou o aumento dos preços em dólar, considerando os principais itens da pauta de exportação do agronegócio. Até junho, a situação era oposta. O Real pressionado compensava em parte a queda de preços em dólares, incentivando as vendas do agronegócio no mercado externo.


No balanço entre janeiro e setembro de 2009, a combinação da queda de 12,08% nos preços em dólares (IPE-Agro) com a desvalorização de 8,12% na taxa de câmbio efetiva real do agronegócio (IC-Agro) resultou em diminuição de 4,92% nos preços em reais (IAT-Agro) – os três índices citados, de preços, câmbio e atratividade das exportações são elaborados pelo Cepea.


Em termos de volume exportado, houve recuo no terceiro trimestre, refletindo a perda de atratividade do produto nacional no exterior e também a sazonalidade da safra brasileira, que concentra muitos embarques no primeiro semestre. Entretanto, o bom nível alcançado do primeiro semestre permitiu que, no balanço dos nove meses, o IV-Agro/Cepea expandisse 3,04%.


Quanto aos produtos exportados, até setembro, os piores desempenhos em preços (em Reais) foram os do óleo de soja, de papel e celulose e de carne suína, todos com recuo acima de 23% neste ano – em comparação com jan-set de 2008. Em volume, as maiores retrações ocorreram para madeira e mobiliário, álcool e óleo de soja: quedas também superiores a 22%.


Como destaque positivo, tem-se o comportamento do açúcar, com expansão de 24,80% em preços (em Reais) e de 29,69% em volume. O farelo de soja também registra taxas positivas tanto em preço (+9,16%) quanto em volume (+6,93%). Todos os demais produtos, no entanto, apresentaram dificuldades, seja em preço ou no volume exportado.


Em relação ao comportamento regional, Sudeste, Sul e Centro-Oeste tiveram retrações em preços, enquanto as regiões Norte e Nordeste registraram alta. O Sul e Sudeste também foram desfavorecidos devido à queda de volume dos principais produtos que exportam. A região Norte teve recuo nos volumes, enquanto as regiões Nordeste e Centro-Oeste registraram aumento.


 


Comunicação Cepea

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