Entre as principais commodities agrícolas, o açúcar é o produto que proporcionará a menor receita ao produtor brasileiro no próximo ano. Não que os preços na Bolsa de Nova York (Nybot) estejam baixos. Estão na média dos últimos cinco anos, mas insuficientes para amortecer a desvalorização do dólar. Já no caso de milho, soja e algodão, as cotações internacionais para o ano que vem indicam valores até 60% superiores aos níveis históricos, o que assegura boa rentabilidade às culturas, mesmo com a valorização cambial.
De acordo com a indicação de preços da Nybot para julho de 2008, a tonelada do açúcar VHP, em reais, vai valer 4% menos do que a cotada em julho deste ano. Isso, se o dólar se valorizar e chegar a R$ 1,80 – atualmente está na casa de R$ 1,73 – , lembra Mário Silveira, analista da FCStone. O contrato de julho de 2008 na Nybot indica 10,30 centavos de dólar a libra-peso que, transformados em reais por tonelada, equivale a R$ 425,29, ante os R$ 441,83 de julho deste ano, quando o câmbio estava em R$ 1,87 e o contrato em Nybot valendo os mesmos 10,30.
Essa depreciação é ainda maior se for considerado que, na atual safra, muitos produtores fizeram hedge do açúcar em níveis mais altos – a cotação chegou a bater 20 centavos de dólar por libra-peso no início do ano. “As empresas com boa gestão de risco conseguiram proteger o preço do produto, atingindo resultados, pelo menos, 20% superiores à média do mercado”, compara Luiz Fernando Abussamra, diretor de Agronegócios Risk Office.
O pior de tudo não é a queda da receita com açúcar, mas o fato de ela estar abaixo do custo de produção, segundo José Carlos Toledo, presidente da União das Usinas do Oeste Paulista (Udop). Ele estima que o custo médio para se fabricar uma tonelada de açúcar VHP é de R$ 470, cerca de 10% acima dos preços indicados para o ano que vem na Nybot.
Melhora nos preços do açúcar está prevista apenas para 2009, quando se estima até escassez do produto no mercado internacional, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA). Para o milho, a indicação é de que os preços internos serão até maiores que na Bolsa de Chicago (CBOT), cujo contrato para julho de 2008 está em US$ 4,10 o bushel, 64% maior que a média histórica de US$ 2,49 (desde 1998). O contrato da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) mostra para julho do próximo ano R$ 22,35 a saca, o equivalente a US$ 5,43 o bushel, ou seja, 32% mais que na CBOT. “É difícil prever o mercado em julho de 2008, sobretudo para o milho cujo mercado não é tão regido por Chicago”, pondera Fábio Turquino Barros, analista da Agra-FNP.
No caso da soja, a vantagem é grande, explica Gonzalo Terracini, analista de gerenciamento de risco da FCSTone. Nos últimos cinco anos, o bushel da soja na CBOT apresentou comportamento médio de preços de US$ 6,70, valor que para julho de 2008 está indicado em US$ 11. “E, mesmo com esse nível de preço, a demanda não recua. A China continua comprando. Avalio que é difícil, pelo menos nos próximos cinco anos, os preços do grão voltarem aos níveis históricos”, analisa Terracini.
Os preços do algodão para julho de 2008 na Nybot indicam US$ 7 a libra-peso, ante a média de US$ 5,2 dos últimos cinco anos. “Com esse câmbio, compensa negócio acima de US$ 6,5”, avalia Miguel Biegai Jr., da Safras & Mercado.
Gazeta Mercantil

