A velha história de que o Brasil é o maior produtor mundial de café, mas é a Alemanha quem possui o maior complexo torrefador do produto no mundo, poderá mudar nos próximos anos. E essa nova fase acontecerá com a ajuda de um torrefador capixaba que decidiu exportar café torrado em grão para a Europa.
Depois de fazer a exportação do café em diferentes blends (mistura de grãos para que sejam obtidas as bebidas desejadas), por cerca de três anos associado ao embarque de rochas ornamentais e outros produtos, a Meridiano realizou, em maio passado, a exportação do primeiro contêiner exclusivo de café para a Alemanha. “No total, foram 5,5 toneladas de café industrializado”, explicou o diretor da empresa, Éder Pancieri.
A família Pancieri procurou parceiros na Alemanha que estivessem interessados em investir não só na distribuição do produto, mas também no marketing e na diferenciação do café Meridiano. “Os alemães não ficaram somente na venda dos nossos produtos em cafeterias e em outros estabelecimentos. Construíram e patentearam cafeterias ambulantes que são, na verdade, pequenos veículos, do tipo triciclo, que funcionam como veículo de divulgação e como cafeterias ambulantes”, anima-se Pancieri, ao falar dos distribuidores do Meridiano na Alemanha.
Os blends exportados são os mesmos que a empresa coloca no mercado brasileiro, segundo Éder Pancieri. “Exportamos para a Alemanha, em maior volume, mas também para outros países, o blend para Espresso, padrão UTZ Certified, o café Orgânico, Classic, Tradicional, e Espresso”, explica. Todos com selo de qualidade da Associação Brasileira do café em classificação “Gourmet”, “Superior” e “Tradicional”.
O Brasil exportou, no ano passado, entre grãos verdes e industrializados, 29,3 milhões de sacas, volume recorde, segundo dados das organizações ligadas aos produtores e exportadores de café. O volume vendido para outros países também rendeu ao país uma receita recorde de US$ 4,7 bilhões. O volume é 4,4% maior em comparação ao ano de 2007, segundo dados do Conselho dos Exportadores de café do Brasil (Cecafé).
Já a exportação de café torrado e moído é insignificante, se comparada com o volume produzido no Brasil. Apesar de ter crescido 37% em 2008, na comparação com 2007, o volume de café industrializado exportado no ano passado foi de 135 mil sacas, conforme a Associação Brasileira das Industrias de cafés (Abic), com faturamento de US$ 36 milhões.
Os brasileiros consumiram 3,2% a mais de café em 2008, quando comparado com 2007. No ano passado, os brasileiros beberam 17,66 milhões de sacas de café. No ano anterior, o volume foi de 17,11 milhões de sacas. O Brasil é o segundo maior consumidor do mundo, perde apenas para os EUA.
O consumo per capita do brasileiro é de 4,5 kg por ano. Se o volume total de café consumido no país for dividido por todos os brasileiros, cada habitante teria consumido, durante o ano todo, mais de quatro quilos de café.
A Gazeta

