Ao proferir palestra sobre “Pesquisa e Desenvolvimento com vista a uma Transformação Rural”, o chefe do Centro de Pesquisas do Cacau da Ceplac, Adonias Castro Virgens Filho, declarou que nenhum desenvolvimento rural pode ser entendido, se dissociado da pesquisa e não atender às pessoas que produzem riquezas no meio rural. O enfoque do seu trabalho versou sobre projetos desenvolvidos pela Ceplac em mais de meio século dotando o Sul da Bahia de toda infra-estrutura.
O tema despertou interesse das delegações de Camarões e Costa do Marfim ao ser abordado, na manhã desta terça-feira, 16, na sessão de abertura do segundo dia do 1º Workshop Internacional sobre Políticas do Cacau. O evento é promovido, em Salvador, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) em conjunto com a Aliança dos Países Produtores de Cacau (Copal, na sigla em inglês), reunindo países produtores dos continentes americano, africano e asiático.
Além de destacar a pesquisa do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec) e a ação do Centro de Extensão da Ceplac (Cenex), Adonias Virgens Filho, listou as realizações da instituição na abertura de estradas, implantação do Porto do Malhado, em Ilhéus, para escoamento da produção de cacau, criação das Escolas Médias de Agropecuária Regional da Ceplac (Emarc) e do campus da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Falou ainda sobre as duas fases do desenvolvimento da Região Cacaueira baiana, sendo a primeira, entre 1931 e 1957, com o extinto Instituto de Cacau da Bahia (ICB), órgão pioneiro na aplicação da pesquisa e extensão rural e na comercialização.
A segunda, frisou, se inicia a partir da criação da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que nasceu para ajudar o produtor de cacau a renegociar dívidas da lavoura, com um fundo econômico-rural, em 1957. Depois, se criou a taxa de 15% sobre a exportação do cacau, que financiou a implantação da infra-estrutura do sul baiano até sua extinção em 1984 pelo governo federal pressionado pelas indústrias do cacau sob o argumento de elevar o preço pago ao produtor, o que até hoje não se confirmou, passando então, a instituição a depender do Tesouro Nacional.
O chefe do Cepec voltou a defender a cooperação internacional entre os países produtores de cacau para que seja evitado excesso de produção no mercado, o que pode vir a comprometer e deprimir os preços. “É preciso que se compreenda que as oscilações de preço comprometem os produtores e a economia dos países com graves reflexos nas sociedades locais. Devemos ter estratégias de ação comum para que tiremos vantagens com os preços mais elevados e em valor justo a remunerar o trabalho daqueles que produzem riqueza no meio rural”, recomendou.
As delegações da Costa do Marfim, Togo e Camarões defenderam parcerias com o Brasil para a prevenção de doenças que afligem a lavoura cacaueira, a exemplo da vassoura de bruxa e da ameaça que representa a moniliase do cacaueiro. Nestes países africanos tais doenças não existem daí terem defendido ações preventivas e sistema rigorosos de prospecções. “É preciso reconhecer o esforço vitorioso do Brasil, através da Ceplac, no combate ao fungo Moniliophtora perniciosa e a Copal deve coordenar esse intercãmbio cientifico”, disse ao secretário-geral da Cocoa Producer’s Alliance (Copal), Hope Sona Ebai, e ao diretor da Ceplac, Jay Wallace da Silva e Mota, um membro da delegação de Costa do Marfim.
Também mereceu destaque das delegações internacionais os trabalhos que a Ceplac desenvolve no Manejo Integrado da Vassoura-de-Bruxa, os Sistemas Agroflorestais e a atenção ao agricultor familiar, inclusive coma elaboração de projetos para serem financiados pelos bancos públicos. Os debates técnicos do Workshop Internacional sobre Políticas do Cacau prosseguem até as 17 horas de sexta-feira, 19, no Bahia Othon Pálace Hotel, em Ondina, na capital baiana, quando está prevista a cerimônia de encerramento. Naquela oportunidade será publicada Declaração Consensual, Declaração de Encerramento, Palavra do Secretariado e do Brasil.

