O primeiro painel do VI Simpósio de Pesquisas de Cafés do Brasil, nesta quarta-feira (03) contou com a participação de representantes dos principais financiadores rurais no Espírito Santo. Luis Carlos Guedes Pinto, do Banco do Brasil, e José Antonio Bof Buffon, do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), discutiram sobre as ‘Oportunidades do Agronegócio Café’ durante o evento, que tem como tema “Inovação Científica, Competitividade e Mudanças Climáticas”, realizado no Centro de Convenções de Vitória.
O evento é promovido pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café e realizado este ano pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), pela Secretaria de Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca (Seag) e pela Embrapa Café. O VI Simpósio de Pesquisas de Cafés do Brasil segue com a sua programação até a próxima sexta-feira (05).
O vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, Luiz Carlos Guedes, apresentou um panorama da agricultura mostrando o avanço do setor nos últimos anos. “Em 1965, mais da metade das exportações do Brasil eram de café. Hoje exportamos o dobro, mas o café só representa 2% das exportações”, destaca. “Outra mudança foi que o sistema de crédito passou a ser comercial, e não do Tesouro Nacional”, complementa Luiz Carlos.
Ele também apresentou uma série de características que tornam o financiamento rural mais arriscado do que os outros tipos de financiamentos. “A renda do produtor é volátil, pois depende das condições de clima e tempo, da concentração de fornecedores de insumos e máquinas. Não há como interromper um ciclo produtivo. Se o preço da saca de café subir, por exemplo, não há como aumentar a produção para aumentar o lucro”, explica Luiz Carlos Guedes.
Outra contribuição de Guedes foi traçar duas medidas para redesenhar a engenharia do crédito rural no Brasil: a ampliação do seguro rural e a proteção para o mercado futuro. “Essas medidas protegem a produção e garantem a renda do produtor caso haja problemas nas lavouras. O Governo Federal subsidia 50% do seguro rural”, comenta. Ele finalizou sua explanação dizendo que o grande desafio para a cafeicultura no Brasil é desenvolver uma ação conjunta a fim de articular uma política para a agricultura brasileira.
O outro debatedor foi o diretor de Crédito e Fomento do Bandes, José Antonio Bof Buffon, que apresentou um panorama da cafeicultura no Estado, destacando as especificidades do café arábica e do Conilon. Ele apresentou as estatísticas do banco no cenário do financiamento rural no Espírito Santo. “Trinta e oito municípios capixabas já receberam mais de R$ 1 milhão em financiamento. Dentre eles destacam-se Vila Valério, Iúna e Irupi”.
Ele também falou sobre a importância cultural, econômica e social da cafeicultura e o estabelecimento de parcerias para o seu desenvolvimento. “Enquanto o Bandes for um instrumento da política pública, financiaremos o produtor capixaba”, finalizou.
Beatriz Toso

