Na semana passada a Ceplac através dos pesquisadores da Estação Experimental Sosthenes de Miranda (ESOMI), (Manfred W. Müller – Ph.D. em Fisiologia Vegetal, Deraldo R. Vieira – M.Sc. em Fisiologia Vegetal, o Chefe do Escritório de Santo Amaro (ELSAM), Paulo Silva dos Santos juntamente com a Secretária de Agricultura do município de São Francisco do Conde, Engª Agroº Silvana S. Costa, visitaram a Fazenda Engenho d’Água, em companhia do seu proprietário, o médico veterinário Mário Ribeiro, e constataram o sucesso das recomendações aplicadas na Fazenda.
Essa fazenda é de grande relevância histórica para o cultivo do cacau no Brasil, pois, no ano de 1952, foi ali instalada a primeira área de cacau tecnicamente formada (sombreamento e espaçamento), com 60 ha da cultivar Catongo, sabidamente autocompatível e um mutante do Cacau Comum, cujos níveis de produtividade chegaram até a 110 @ de cacau seco/ha.ano, com média de 80 @/ha.ano. Com a chegada da vassoura-de-bruxa (VB) na região, por ser a cultivar catongo altamente susceptível à doença, sua produtividade média caiu para níveis abaixo de 10@/ha.ano.
Após a compra da propriedade, no ano de 2002, a Ceplac do Recôncavo apresentou ao proprietário um planejamento para a substituição das plantas susceptíveis à VB ali existentes, por materiais genéticos resistentes e autocompatíveis. Esta recomendação teve como embasamento técnico os estudos desenvolvidos pelos pesquisadores da ESOMI efetuados na região, que comprovaram cientificamente a influência altamente negativa da auto-incompatibilidade sexual do cacaueiro nos níveis de produtividade dos cacauais do Recôncavo.
Atualmente, constatam-se os benefícios que a tecnologia recomendada e aplicada, trouxe para o mesmo. Foram introduzidos nos 60 ha, ao longo dos últimos 6 anos, entre outros, principalmente os clones autocompatíveis CCN 51, PH 16, PS 1319, VB 1151, SJ 02 e, mais recentemente, o Ipiranga 01. As áreas se apresentam em franca e exuberante produção, com aspecto vegetativo espetacular, graças ao excelente manejo ali dispensado e a momentânea ausência da VB no ambiente, pela brusca retirada do material susceptível, propiciado pelo excelente sombreamento de topo já existente. A expectativa de produção para esse ano é de 1.000@ o que pode ser considerada muito boa levando-se em conta que esta produção é proveniente de 35 hectares com idade variando de 3 a 5 anos de campo.
Além da cacauicultura, o proprietário da fazenda diversificou seu empreendimento com a bovinocultura de leite e suinocultura. A exploração da banana nas áreas periféricas das quadras, de acordo com o Sr. Mário Ribeiro, consegue custear grande parte das despesas de pessoal e insumos da propriedade. A receita somente com a exploração agrícola (banana e cacau) já permite, com lucratividade, o custeio de todas as atividades da propriedade. A fazenda, outrora residência do Barão de São Francisco proprietário do Engenho de cana-de-açúcar e de escravos no século XVIII está sendo preparada para o eco-empreendimento. Para isso o Sr. Mário já recuperou a casa sede de 1.200 m2 de área construída inclusive a senzala na parte inferior, e está recuperando a Igreja Octogonal ali existente, construída em 1760.
Assessoria de Comunicação da Ceplac

