Defensivos: demora na liberação de registros é gargalo para setor

por admin_ideale

 


O maior gargalo da indústria brasileira de defensivos agrícolas ainda é a morosidade dos processos de registros, afirma o diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), José Otavio Menten. Atualmente, entre a análise das moléculas até a liberação do registro, são necessários de dois a três anos. Por lei, em decreto regulamentado em 2002, o processo de liberação de registros de novos produtos deveria durar cerca de 180 dias. As análises, que contemplam os estudos toxicológicos e ambiental, são feitas pelo Ministério da Agricultura, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


‘Certamente, concordamos com o rigor para obter o registro. Só que esse processo está muito demorado’. Segundo ele, a despeito do período previsto em lei, o prazo de um ano já seria suficiente para atender à necessidade do setor. Menten explica que a agilidade na liberação dos produtos é fundamental para garantir competitividade e sustentabilidade da agricultura brasileira.


O vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindag), José Roberto Da Ros, também avalia que o principal gargalo enfrentado pela indústria é a demora na liberação do registro de novos produtos. Segundo ele, no ano passado apenas um registro foi liberado. Neste ano, até o momento saíram três ou quatro produtos. ‘É muito pouco, especialmente, se comparamos com nossos competidores, que têm acesso a mais produtos’, afirma Da Ros. Entretanto, para o Sindag, o prazo previsto em lei deveria ser cumprido pelo governo.


É consenso entre os representantes do setor que o Brasil perde espaço no mercado diante de tanta morosidade, já que os demais países têm acesso a produtos menos tóxicos e mais eficientes no trato de pragas e doenças que afetam às lavouras. Eles destacam que o investimento da indústria em novos ingredientes ativos (molécula) é muito alto, varia de US$ 200 a US$ 250 milhões por produto, em pesquisas que variam de 10 a 12 anos.


‘Por ano são sintetizadas cerca de 200 mil moléculas, das quais apenas uma chega ao mercado’, afirmou Menten, da Andef. Não se tem um número do exato da fila de produtos à espera de aprovação nestes três órgãos, mas ele estima que cerca de 15 novos ingredientes ativos estejam aguardando liberação. É a partir destas novas moléculas que a indústria prepara os defensivos que serão usados para proteger as plantas das pragas e doenças que afetam as lavouras, reduzindo o potencial produtivo das culturas.


Para a Andef, o cenário econômico ainda está nebuloso para elaborar qualquer projeção de consumo para o próximo ano. A preocupação maior do setor não é quanto à redução da área cultivada, que deve ser pequena, segundo ele, mas quanto à opção dos produtores de diminuir os investimentos em tecnologia. ‘Reduzir a tecnologia não é a melhor opção. É melhor manter este investimento para garantir maior êxito econômico’, afirma.


Este ano foi marcado por um expressivo aumento de preços do pacote tecnológico utilizado pelos produtores. Entretanto, o maior avanço foi registrado nos fertilizantes. Levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, mostra que dos 131 produtos avaliados, cerca de 80% apresentaram redução de preços. ‘Em alguns casos, o recuo chega a 37%’, afirma. Segundo ele, das sete culturas incluídas no estudo, três tiveram relação de troca favorável: a soja, café e o feijão. Entretanto, a relação de troca tornou-se desfavorável, em especial, o algodão, a laranja e o milho.


 


Agência Estado

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