Os impactos da crise mundial na agricultura brasileira também já podem ser observados pelos produtores de borracha do Espírito Santo. Com a alta do dólar e a boa demanda da borracha em todo planeta, os produtores pensaram que poderiam estar salvo dos efeitos negativos da crise.
De acordo com o produtor e presidente da Cooperativa de Produtores de Borracha do Espírito Santo (Coopbores), Emir de Macedo Gomes Filho, a formação do preço da borracha é influenciada pelo petróleo. A cotação do barril chegou a 145 dólares, mas na semana passada estava cotado a menos de 50 dólares. “A queda acentuada do preço do petróleo favorece a compra da borracha sintética, então hoje já existe uma concorrência da borracha sintética com a natural”, afirma Gomes Filho.
O seringalista diz que o produto estava sendo comercializando a R$2,50 o quilo da borracha seca e “hoje, infelizmente, o preço está na casa dos R$ 2,00, uma queda de 20% no setor”. Mas a queda nos preços da borracha ainda não desanima os agricultores. Segundo Emir Filho, com o preço atual a produção de borracha ainda é um excelente negócio.
“O problema é que a gente não sabe se já chegou ao fundo do poço. Nós não temos a dimensão dessa crise, então existe até a possibilidade do preço cair mais. Isso que está deixando o segmento apreensivo”, explica.
Diante do cenário imprevisível, o produtor afirma que o momento é de cautela. “Não podemos inventar muita moda. Estamos com um clima favorável, entrando na safra, eu acho que temos que procurar fazer os tratos culturais, quem puder fazer calagens, adubação, porque aí conseguimos aumentar a produtividade o que acaba compensando essa queda de preços”, finaliza.
Redação Campo Vivo

