Cultivados em sistema livre de agrotóxicos e aditivos químicos, os alimentos orgânicos atraem consumidores em busca de uma vida saudável. E esse público é formado, principalmente, por pessoas com renda familiar acima de R$ 5 mil e nível educacional superior. Os dados fazem parte de um estudo realizado na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV), da Universidade de Brasília (UnB), com consumidores em sete pontos de venda no Distrito Federal, entre eles, as feiras orgânicas, a Ceasa e um supermercado de grande porte.
Ao visitar os locais, a presença maciça do público feminino é facilmente notada. De acordo com o engenheiro agrônomo Maurício Junio Gomes, que auxiliou a pesquisa e utilizou essas informações para compor sua monografia de final de curso, o índice é explicado pelos papéis sociais. “Geralmente, é a mulher que faz a compra de alimentos. Mesmo quando encontrávamos casais, os homens pediam que elas fossem ouvidas”, diz.
■ Renda
Outra característica marcante desse grupo é o alto poder aquisitivo. Dos entrevistados, 59% declararam ter renda familiar acima de R$ 5 mil. Se esse percentual for somado com o grupo que vem logo em seguida, compreendida entre R$ 3,5 mil e R$ 5mil, chega-se a um quantitativo de 77%. Aliado ao nível econômico está a escolaridade, também elevada. A pesquisa revela que 77% dos participantes concluíram algum curso universitário e, em termos absolutos, 27% já tinham feito uma pós-graduação. Completando os fatores renda e instrução está a idade: 46% têm mais de 41 anos.
Segundo a professora Ana Maria, coordenadora da pesquisa, o consumo de orgânicos é típico do público que ultrapassou o nível socioeconômico mínimo para efetuar as compras de itens básicos e tem condições suficientes para escolher entre os produtos que reúnem mais atributos de qualidade. Quando perguntados sobre os motivos que os levam a adquirir os itens orgânicos, 88% apontaram a preocupação com a saúde.
Jornal de Brasilia

