Pesquisador da Ceplac faz estudo de insetos que valem milhões de dólares

por admin_ideale

 


O pesquisador José Inácio Lacerda Moura, do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), da Ceplac, vai apresentar o trabalho científico “Polinização do Dendezeiro por Insetos no sul do Estado da Bahia”, durante o 22º Congresso Brasileiro de Entomologia, que se iniciou no domingo, 24, em Uberlândia/MG. O evento tem como tema “Ciência, Tecnologia e Inovação” e conta com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).


 


O pesquisador fez estudos comparativos sobre a eficiência de polinização do dendezeiro no sul da Bahia, entre as espécies Elaeidobius subvittatus que ocorre na região e o inseto – Elaeidobius kamerunicus (Coleoptera, Curculionidae) –, oriundo do continente africano, que alcançou mais de 80%, daí ter dito que são besouros que significam negócios de milhões de dólares. O seu trabalho é orientado Professor Doutor Francisco Jorge Cividanes.


 


José Inácio disse que após a introdução da espécie E. kamerunicus na Malásia, a taxa de fecundação do dendezeiro, que era cerca de 20%, aumentou entre 50% a 70%, um incremento que resultou em ganho de aproximadamente 115 milhões de dólares pelas indústrias malaias processadoras de óleo de dendê. “Entre 1984 e 1986, a espécie E. kamerunicus foi introduzida na Colômbia, Equador, Costa Rica e Honduras, com resultado altamente favorável, já que também houve aumento na taxa de fecundação dos frutos do dendezeiro”, informou.


 


Ele afirma na sua dissertação que os primeiros estudos sobre insetos polinizadores do dendezeiro, no Brasil, foram conduzidos por Lucchini na região amazônica, onde estudou a variação da taxa de fecundação e do peso médio do cacho em função da flutuação populacional de E. subvittatus e da precipitação pluvial. No sul da Bahia, os estudos restringiram-se somente a dendezeiros, do tipo dura e tenera, pois neste período não existia o híbrido interespecífico em Una. A introdução do híbrido ocorreu em 2005.


 


O pesquisador acrescenta: “Lucchini (1986) citou que, apesar de não haver grandes flutuações do E. subvittatus nos dendezeiros do sul da Bahia, a taxa de fecundação ficou, na maioria das vezes, abaixo de 60%. Os resultados levaram o autor a sugerir a introdução de outros insetos polinizadores para melhorar a formação dos cachos. Em 1994 a Ceplac, com apoio da Embrapa, introduziu em Una, na Estação Experimental Lemos Maia (Esmai), onde os estudos foram conduzidos, espécimes de E. kamerunicus oriundos de Belém, PA., e que hoje encontram-se disseminados por toda a região dendeícola da Bahia.

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