O início da participação efetiva dos cacauicultores no Plano de Aceleração do Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira do Estado Bahia (PAC do Cacau) foi simbolizado com o chamado Dia da Adesão, uma oportunidade para os produtores com débitos junto às instituições financeiras conhecerem as condições para a quitação da dívida, com descontos de até 80%. O evento trouxe à Itabuna, no sul da Bahia, na segunda-feira, 4, o governador Jaques Wagner e os dirigentes estaduais do Desenbahia e bancos do Brasil e Nordeste.
Os produtores terão até o dia 30 de setembro para assinar o termo de adesão, a partir do qual também poderão obter novos créditos e acesso a outros benefícios do plano. Os primeiros contratos de adesão foram assinados por quatro produtores de cacau, entre eles Gustavo Moura, para quem o cultivo do produto é uma herança de família e já atravessou diversas gerações. “A renegociação vai nos possibilitar sair da inadimplência e ter acesso a novos créditos, dando um novo impulso à lavoura e obtendo uma maior produtividade”, disse ele.
O Dia da Adesão foi uma parceria entre a Secretaria da Agricultura, Reforma Agrária e Irrigação (Seagri), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Desenbahia e bancos do Brasil e do Nordeste – com quem os débitos dos agricultores vão ser renegociados. A solenidade de apresentação foi no Centro de Cultura Adonias Filho e contou com a participação do secretário da Agricultura, Geraldo Simões, coordenador do PAC do Cacau, e líderes da lavoura, a exemplo de Henrique Almeida, da Associação dos Produtores de Cacau (APC), e Fausto Pinheiro, presidente da Câmara Setorial do Agronegócio Cacau, e do coordenador de operações da Ceplac, Wellington Duarte.
“Eu jamais defenderia um plano como esse se eu não acreditasse nele. O governo está cumprindo a sua parte ao dar apoio a quem trabalha na terra e produz riqueza”, falou o governador. Segundo informações somente na Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) há 4,2 mil contratos a serem assinados com os produtores para a renegociação das dívidas, que chegam a R$ 78 milhões.
O PAC do Cacau, que beneficia cerda de 30 mil produtores, foi lançado em maio deste ano pelo presidente Lula e pelo governador Jaques Wagner. A meta é reerguer a economia local, que entrou em crise com a praga da vassoura-de-bruxa e sofreu impactos negativos até mesmo nas questões sociais, ambientais, culturais e políticas da região.
Os recursos previstos para liberação, pelos governos federal e estadual, são da ordem de R$ 2,2 bilhões, com o objetivo de incentivar a produção, a diversificação das culturas (o plantio consorciado com o dendê, por exemplo) e a introdução de novas tecnologias e pesquisas para agregação de valor ao cacau, entre 2008 e 2016.
A meta do plano é recuperar 150 mil hectares de cacau com mudas mais resistentes às pragas, além da implantação de 100 mil hectares de seringueira e 30.500 hectares de dendê para produção de borracha e biocombustíveis, respectivamente. O PAC do Cacau inclui ainda programas complementares que visam o estímulo ao cultivo de frutas, flores e à industrialização da produção. No sul da Bahia, existem mais de 29 mil propriedades agrícolas dedicadas ao cacau.

