Programa prevê a produção de liquor de cacau e de chocolate

por admin_ideale

 


Com a previsão de implantação de 10 fábricas para produção de liquor de cacau e igual número para fabricação de chocolate foi lançado na manhã desta segunda-feira, 14, pelo Governo do Estado, o Programa Industrialização de Cacau em Pequena Escala. O evento reuniu representantes da Secretaria Estadual da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), Ceplac, Uesc e EBDA, além dos bancos do Nordeste, Brasil e Desenbahia, no auditório do Pavilhão Jorge Amado na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).


 


O programa prevê a aplicação de R$ 17 milhões para financiar a aquisição de máquinas e equipamentos pelas associações e cooperativas de produtores da região sudeste do estado, envolvendo Territórios Baixo-Sul, Litoral Sul e Extremo Sul, para que sejam instaladas 20 indústrias para processamento anual de 1,6 mil de toneladas de liquor e 840 toneladas de chocolate. Os recursos serão disponibilizados pelo Governo do Estado, em parceria com os agentes oficiais de crédito, para equipamentos, aquisição de terreno e construções.


 


Ao destacar o esforço do governador Jaques Wagner e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela criação do Programa de Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira da Bahia (PAC do Cacau), o secretário estadual da Agricultura, Geraldo Simões, afirmou que o produtor precisa mudar a cabeça para reconhecer que a venda do liquor e do chocolate tem maior valor agregado que a venda de cacau em amêndoas. “Precisamos mudar a cultura de mais de 250 anos, como forma de alavancar o desenvolvimento regional assentado em melhores bases econômicas”, discursou.


 


“Deixar de ser uma região produtora de commodity (cacau) para ser produtora de elaborados (chocolate) ou semi-elaborados (liquor de cacau) é compromisso da Ceplac, representando o Governo Federal, e dos demais parceiros neste ato”, disse Wellington Duarte, coordenador-geral de Operações da Ceplac. Ele destacou que com o projeto se pretende alterar esse quadro, com a geração de tecnologias e de processos ajustados à realidade atual da economia. Duarte ressaltou a importância do Centro Tecnológico Industrial – unidade incubadora mantida na sede regional da Ceplac, na rodovia Ilhéus-Itabuna – para treinamento da mão-de-obra.


 


Os produtores Guilherme Moura e Eraldo Gomes Pereira Filho foram citados, como exemplo, por vir desenvolvendo pesquisas de mercado, projeto industrial e de marketing, desde 2005, para implantação de sua indústria no km 12 da rodovia Ilhéus-Itabuna, juntamente com a sócia Maria Lucia Galvão Kamei. A indústria já conta com área de dois hectares, aonde será instalada unidade temática do chocolate, e seu projeto de financiamento, no valor de R$ 1 milhão, está tramitando junto ao Banco do Nordeste do Brasil. Ali será feito o processamento mensal de até duas toneladas de chocolate. “Há mercado, oferta de matéria-prima e otimismo”, disse Eraldo Filho.


 


O superintendente de agricultura da Seagri Hermínio Maia fez a apresentação do Programa de Industrialização de Cacau em Pequena Escala quando afirmou que depois de confirmado o potencial de mercado do cacau e do chocolate orgânico, fino e especial alguns produtores regionais chegam a obter prêmios de até 100% do valor convencional. Segundo ele, os preços atuais do cacau estão em torno de R$ 80 a arroba ou R$ 5 por quilo de amêndoa. “Estimamos que o quilo de liquor de cacau seja R$ 15 e o de chocolate R$ 45, o que evidencia as vantagens do processamento”, alertou, tendo apresentado projetos de duas empresas, incluindo valores de maquinário e todas as facilitadas criadas pelo governo.


 


A instalação de pequenas e médias processadoras de cacau, fábricas de chocolate e derivados especiais é vista como alternativa para alavancar novos negócios, como indústrias de embalagens, de produção de chocolates finos e novos nichos de mercado, como afirmou o pró-reitor de extensão da Uesc, professor Raimundo Bonfim. Pelo programa, caberá à Uesc produção de protótipo de uma máquina processadora que supere os equipamentos feitos por empresas de São Paulo e do Espírito Santo para produção de chocolate, manteiga e pó de cacau, além do aproveitamento do mel e da polpa para sucos, geléias, vinhos e aguardente e utilização de resíduos para adubos e energia alternativa.

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