Produtores de leite do Estado terão a oportunidade de aprender, nesta terça (08) e quarta-feira (09), técnicas para manutenção da saúde e do bem-estar do rebanho por meio de métodos naturais, como o uso da homeopatia e da fitoterapia, no segundo módulo do Curso de Pecuária Ecológica, em Linhares, das 8 às 17 horas.
O curso é realizado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), pela Prefeitura de Linhares, pela Fundação de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Espírito Santo (Fundagres), pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Linhares (STR) e pelo Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob).
No primeiro dia da capacitação, atividades teóricas serão realizadas no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, em Linhares. Na quarta-feira (09), os produtores participarão de atividades práticas na Fazenda Experimental do Incaper do município. O encontro terá a participação de 10 técnicos e 20 produtores rurais, em sua maioria do Norte do Estado.
Este é o segundo módulo do curso que tem o objetivo de iniciar os produtores de leite no sistema agroecológico de produção animal. Nos dias 25 e 26 de junho, os participantes foram instruídos sobre técnicas adequadas de alimentação do rebanho, manejo e conservação de pastagens sem o uso de insumos químicos.
Nesta segunda etapa, a médica veterinária da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Ana Maria de Andrade Mitidiero, falará sobre a prevenção de doenças do rebanho à base de métodos naturais, salientando a importância do conforto animal para manutenção de sua sanidade, e conseqüentemente, produtividade.
De acordo com Maria de Andrade, a saúde do bovino é propiciada pelo estado de equilíbrio do animal com o ambiente, e se manifesta por meio do comportamento natural da espécie, que, quando saudável e feliz, consegue produzir melhor.
“A doença não deve ser vista como um fato isolado, sendo aceita como normal. Seu surgimento é desencadeado pelo desequilíbrio do organismo animal com o meio, onde fatores como solo, alimento, clima, sanidade e a relação com o homem podem contribuir para o bem estar, propiciando saúde ou, se mal manejados, podem levar ao estresse e à doença”, completa a veterinária.
Por esses motivos, serão abordados no curso a necessidade de instalações adequadas ao conforto e à saúde dos animais, a taxa de lotação, a higiene, o acesso facilitado à água, alimentos e pastagens e a manifestação do comportamento natural.
Os métodos naturais na pecuária
Quanto à saúde do rebanho, o foco da capacitação está no uso da homeopatia e fitoterapia como forma de prevenção de doenças. Os participantes irão tomar conhecimento de relatos de produtores que já utilizaram a técnica e aprenderão, de forma prática, a preparação e aplicação destes medicamentos.
Além disso, serão tratadas opções de controle de endo e ecto-parasitas e o manejo adequado de animais com doenças infectocontagiosas.
De acorda com a médica Veterinária do Incaper, Alessandra Maria da Silva, as práticas sustentáveis na pecuária devem ser adotadas como um todo e estar interligadas. Elas devem beneficiar tanto o solo e o pasto quanto o gado, para, conseqüentemente, favorecer a produção. E, se todo o processo estiver em equilíbrio, o resultado também será positivo tanto para o produtor quanto para o consumidor.
“Boas práticas de manejo do ambiente rural e dos animais proporcionam a economia com insumos agrícolas e garantem a melhoria da qualidade da produção. Isso também beneficia o consumidor final, que terá um produto mais saudável”, afirma Alessandra.
Também participam da realização do curso a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e os Ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT), do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Desenvolvimento Agrário (MDA).
O Sistema Agroecológico
A criação de animais em sistemas agroecológicos recomenda o estabelecimento de uma interação com os animais, diferente dos sistemas convencionais, que são estritamente produtivistas e desconsideram o comportamento natural dos bovinos e o seu bem-estar, considerando-os como máquinas de produção.
O estresse provocado pelos sistemas convencionais (superlotação, abolição do comportamento natural, mutilações, sofrimento) gera desequilíbrio imunológico, favorecendo o aparecimento de doenças e levando ao uso de antibióticos e parasiticidas para sobrevivência dos animais. O melhoramento genético, visando a alta produtividade, resultou em maior exigência nutricional, onerando ainda mais a produção.
A criação ecológica ajuda a melhorar a qualidade de vida dos produtores rurais, diminuir a contaminação ambiental e oferecer produtos de qualidade para os consumidores, contribuindo assim para a melhoria da saúde dos mesmos. A produção animal ecológica contribui para o equilíbrio técnico, ecológico e econômico da propriedade.
No Espírito Santo, a maioria dos pecuaristas, sejam eles de base familiar ou não, adotam sistemas extensivos de produção, com pouco ou nenhum manejo de solos e pastagens, o que gera degradação ambiental e exige extensas áreas para exploração, com baixa diversidade.

