Mercado de café registra forte queda em fevereiro e reage à projeção de safra recorde anunciada pela Conab

*Por Rafael Teixeira

por Portal Campo Vivo
Foto: Freepik

O mês de fevereiro começou com forte pressão baixista no mercado de café, refletindo um movimento rápido de correção nos preços após um período de valorização significativa. No Espírito Santo, principal produtor brasileiro de café conilon, as cotações registraram queda expressiva logo na primeira semana do mês.

No dia 30 de janeiro, o preço médio do café tipo 7/8 no estado estava em aproximadamente R$ 1.150 por saca. Poucos dias depois, em 6 de fevereiro, primeira sexta-feira do mês, a cotação caiu para cerca de R$ 1.010 por saca, configurando uma desvalorização superior a 12% em um curto intervalo de negociação. O movimento caracterizou um ajuste abrupto do mercado.

Após essa queda inicial, o restante de fevereiro foi marcado por um período de acomodação. As cotações passaram a oscilar majoritariamente entre R$ 1.000 e R$ 1.050 por saca, indicando uma fase de consolidação dos preços após o forte recuo registrado no início do mês.

Estimativa da Conab pressiona mercado

Um dos fatores que intensificaram a reprecificação foi o anúncio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com a primeira estimativa para a safra brasileira de café em 2026. Segundo o órgão, a produção nacional pode alcançar 66,2 milhões de sacas, o que representa um crescimento de 17,1% em relação ao ciclo anterior.

A divulgação da projeção levou o mercado a incorporar a expectativa de uma safra potencialmente recorde no Brasil, impulsionada principalmente pela bienalidade positiva do café arábica, além da expansão de área produtiva e da melhora das condições climáticas, observadas desde a segunda quinzena de janeiro.

No caso do conilon, as perspectivas também são consideradas favoráveis. As projeções indicam safra cheia ou pequena variação negativa, dependendo das condições climáticas até o período da colheita.

Quedas no mercado internacional

O cenário de retração não se restringiu ao mercado interno. Nas bolsas internacionais, os contratos futuros também encerraram fevereiro em queda.

Na ICE Futures US, que negocia o arábica, os contratos com vencimento em maio de 2026 acumularam retração de aproximadamente 10,97% ao longo do mês. Em Londres, no robusta foi registrada queda de 10,23% no mesmo período. Esse desempenho reforça o caráter de correção técnica, após a valorização expressiva observada ao longo de 2025, quando o arábica acumulou alta superior a 24%.

Câmbio influenciou os preços

Outro fator que contribuiu para ampliar a pressão sobre o mercado interno foi o comportamento do câmbio. Ao longo de fevereiro, o dólar apresentou recuo frente ao real. A moeda norte-americana saiu da faixa de R$ 5,28 no final de janeiro para aproximadamente R$ 5,13 no final de fevereiro. A valorização do real reduziu a paridade em moeda local, intensificando os impactos das quedas observadas nas bolsas internacionais.

De forma geral, fevereiro foi marcado por um processo de ajuste técnico no mercado de café, impulsionado pela combinação de fatores internos e externos. Entre eles estão a expectativa de aumento da oferta brasileira, a redução de posições por parte de investidores no mercado internacional e a influência do câmbio.




Rafael Teixeira
Diretor comercial da Prime Café


A Campo Vivo não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos

Você também pode gostar

O Portal Campo Vivo é um veículo de mídia especializada no agro, da Campo Vivo – Inteligência em Agronegócios, empresa ligada diretamente ao setor dos agronegócios, interessada na valorização das cadeias produtivas da agropecuária capixaba e nacional.

Siga nossas redes sociais

Desenvolvido por ideale.dev

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar