
Os resultados obtidos por meio do diagnóstico fitopatológico têm papel decisivo na produção agrícola e no manejo adequado das lavouras. É a partir deles que o produtor consegue identificar com precisão o que está causando os sintomas nas plantas e, assim, adotar medidas corretas e eficientes. Nesse contexto, a Clínica Fitopatológica, vinculada ao Laboratório de Epidemiologia e Manejo de Plantas (Lemp), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), campus Alegre, é referência no apoio técnico ao setor produtivo.
Segundo o coordenador da clínica, Willian Bucker Moraes, doutor em Proteção de Plantas (Fitopatologia), professor e pesquisador da universidade, um dos maiores problemas enfrentados atualmente na agricultura é o diagnóstico incorreto, que resulta no uso indevido de defensivos agrícolas, tanto químicos quanto biológicos.
Esse uso inadequado está, na maioria das vezes, relacionado à falta de diagnóstico ou a diagnósticos incorretos, explica. “Sem um resultado confiável, o produtor acaba aplicando produtos sem necessidade, elevando custos e, muitas vezes, sem resolver o problema”, frisou o pesquisador.

A clínica atua com dois setores integrados, entomologia e fitopatologia, que permitem a identificação precisa dos agentes causais de doenças e pragas. Os resultados das análises oferecem ao produtor, consultores e pesquisadores informações seguras para a tomada de decisão no manejo das culturas, evitando intervenções desnecessárias e prejuízos à lavoura.
Além das análises convencionais, a clínica fitopatológica também realiza diagnósticos em nível molecular, o que amplia ainda mais a confiabilidade dos resultados. O produtor pode optar por identificações em nível de gênero ou, de forma mais detalhada, em nível de espécie. Essa precisão permite que o manejo seja direcionado de forma específica, aumentando a eficiência do controle e reduzindo impactos ambientais.
Os resultados também contribuem diretamente para a sustentabilidade da produção agrícola. “Ao identificar corretamente o problema, o produtor reduz o uso de insumos, diminui despesas e evita aplicações excessivas de defensivos. Isso reflete não apenas em economia financeira, mas também em uma produção mais sustentável e de melhor qualidade”, reforça o coordenador da Clínica Fitopatológica.
Envio correto das amostras
Para que os resultados sejam confiáveis, o momento certo da coleta é determinante, já que materiais enviados em estágio avançado de decomposição comprometem a análise. Por isso, a equipe orienta os produtores por meio do Instagram @lemp_ufes e do contato telefônico da clínica 28 99924-5542, garantindo que o material chegue em condições adequadas para o diagnóstico.
Atualmente, a clínica atende culturas como café, pimenta, morango, tomate, mamão e feijão, além de outras, conforme demanda. Hoje, os produtores enviam os materiais para análise em laboratórios dos estados de São Paulo e Minas Gerais que cobram o dobro do praticado pela Ufes.
A recomendação é que as amostras sejam coletadas e logo em seguida enviadas. Por exemplo, coletar no domingo e enviar no máximo na segunda-feira, garantindo que o material seja analisado ao longo da semana sem perda de suas características. Deve-se evitar enviar material no fim de semana. Dessa forma, os resultados entregues pela clínica se tornam uma ferramenta estratégica para o produtor rural, orientando decisões mais assertivas, econômicas e sustentáveis no campo.
Valda Ravani, jornalista

