Exportações de álcool crescem apesar das cotações em baixa

por admin_ideale

 


Diferentemente das vendas externas de açúcar, as exportações de álcool superam neste ano o volume registrado no ano passado. Nem a queda de preço do etanol no mercado americano deve comprometer a meta de embarcar 4 bilhões de litros em 2008 (ante os 3,2 bilhões de igual período de 2007), segundo analistas. Entre janeiro e maio, foi exportado 1,5 bilhão de litros pelo Brasil, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Mais 1 bilhão está contratado para embarque nos meses seguintes, de acordo com levantamento da Bioagência.


A remuneração média por metro cúbico foi de US$ 448,4 nos cinco meses deste ano, 2,3% menor que os US$ 458,9 de igual período de 2007. No entanto, os meses de junho e julho devem registrar preços ainda mais retraídos, por conta da queda do valor do álcool no mercado americano.


Miguel Biegai, analista da Safras & Mercado, explica que os negócios feitos em março deste ano no mercado spot (físico) estavam remunerando o metro cúbico a US$ 500 e a entrega futuro em junho e julho a US$ 440. Atualmente, os preços negociados para junho e julho estão em US$ 410, por conta do recuo do valor do etanol no mercado americano. “Além do preço menor para quem fechou em março, o câmbio também estava mais atrativo (R$ 1,70) que o atual (R$ 1,63). “Aos preços de hoje não está valendo a pena exportar. Quem negociou em março está conseguindo entregar acima do custo de produção”, avalia Biegai.


O preço do etanol na Bolsa de Chicago (CBOT), que estava em US$ 2,40 o galão (2,785 litros), teve forte queda nesta semana para US$ 2,27, com alguma recuperação ontem, quando encerrou a US$ 2,34, segundo levantamento da Safras & Mercado. Desde meados de abril, a cotação do etanol caiu 8,1% na CBOT.


Mas, deve ocorrer um ajuste na superoferta americana de etanol, na avaliação do diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Antônio de Pádua. “Com os atuais preços do milho, nenhuma refinaria nos Estados Unidos estão obtendo margem positiva com a venda de etanol. É provável que ocorra paralisações pontuais de refinarias, reduzindo a oferta. O mercado lá é muito dinâmico. Os ajustes são rápidos. Eles não trabalham com estoques altos. Os volumes não são sufiecientes para um mês de consumo”, pondera Pádua.


Além disso, segundo ele, ainda há mais espaço para aumentar a mistura de etanol à gasolina em todos os EUA. “A meta é de atingir 10% e, neste ano, não vai passar de 7%. Há potencial de incremento de demanda”, afirma o diretor da Unica. Ele acrescenta ainda que a remuneração paga pelo álcool exportado via Caribe está mais alta, uma vez que o produto fica isento da taxa de US$ 0,54 por galão. Mário Silveira, da FCStone, estima que o custo para exportar o álcool aos Estados Unidos, via Caribe, é de cerca de US$ 0,65, enquanto as vendas diretas (incluindo a taxa de US$ 0,54) resultam em um custo de US$ 0,85. “A questão é que a capacidade para embarcar via Caribe é limitada”, pondera Silveira.


Gazeta Mercantil

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