Um dos três maiores importadores de carne brasileira, a Rússia, anunciou ontem (27) embargo a dez frigoríficos do País. A decisão, válida a partir do dia 9 de junho, veio após uma inspeção de unidades realizada em março.
A divulgação foi feita pelo serviço veterinário russo Rosselkhoznadzor. Segundo o órgão, foram oito unidades de bovino – três da Marfrig (duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul), duas da JBS (em Minas Gerais e Goiás), uma do Frigorífico Silva (RS), uma da Mato Grosso Bovinos (MT) e uma da Nortão Alimentos (MT) – e duas de suínos – uma da BRF, em Goiás, e uma do Frigoestrela, em São Paulo.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) mostram que, só entre os meses de janeiro e abril deste ano, os russos adquiriram 61,19 mil toneladas de bovino, o que gerou uma receita média de US$ 196 milhões.
As violações descobertas apresentam um significativo grau de risco, disse o Rosselkhoznadzor no comunicado. Entretanto, as causas dos embargos não foram completamente detalhadas pelo órgão da Rússia, que já tomou medidas semelhantes no passado, ao suspender temporariamente algumas unidades.
Além do embargo, a proibição de importação de produtos de duas fábricas verificadas foi mantida. O serviço russo enviou às autoridades brasileiras um relato sobre os resultados das inspeções e está aguardando comentários no prazo de dois meses.
Estratégia
Ao DCI, o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli, disse que, seguramente, este comunicado não representa diminuição de receitas.
"Ainda temos 38 plantas habilitadas entre bovinos e miúdos. Os russos não falaram em reduzir o volume de embarques, posso capilarizar o atendimento. O que acontecerá é a substituição dos exportadores dentro do próprio País, sendo assim não haverá impacto financeiro", enfatiza.
Segundo o executivo, os frigoríficos embargados passarão a trabalhar com outros países. As apostas do setor continuam altas para os resultados do segundo semestre, visto que só a reabertura da Arábia Saudita, prevista para junho, representa um mercado de 40 milhões de toneladas por ano. No próximo dia 1 há a última visita árabe.
DCI

