O mercado registrou queda de mais de 19% no primeiro trimestre, se comparado ao ano passado
No primeiro trimestre de 2023, as indústrias brasileiras receberam cerca de 1.252 toneladas de cacau vindas do Espírito Santo, uma queda de 19,4%, se comparado ao mesmo período do ano passado. Apesar dessa redução, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) prevê uma recuperação a partir deste mês de maio com a entrada da safra temporã no estado que é o terceiro maior produtor de cacau do Brasil.
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A presidente executiva da AIPC, Anna Paula Losi, pontua que o Espírito Santo tem potencial de crescimento, com os investimentos que têm sido feitos por muitos produtores com foco na melhoria da produtividade das lavouras. Reforçando que esses investimentos têm sido fundamentais para transformar o cenário brasileiro de déficit de cacau para atendimento da indústria
“Temos certeza que até 2030 a cadeia do cacau será completamente diferente: mais moderna, sustentável e próspera, e isso será alcançado com o esforço coletivo e colaborativo de todos os atores da cadeia e seus parceiros: produtores, indústria, governos, organizações sociais, dentre outros. A cacauicultura brasileira tem um potencial enorme e a cadeia tem envidado esforço para fazer uma importante transformação, passando de uma produção de baixa produtividade para uma produção com produtividades adequadas que permitam a cacauicultura ter uma renda melhor e assim reinvestir, modernizar, revitalizar sua produção, sempre com foco na sustentabilidade econômica, social e ambiental”, comentou a presidente.
O uso do cacau em uma gama crescente de segmentos têm expandido o valor do produto até no mercado internacional. Além das indústrias de fabricação de chocolate, a procura tem sido crescente na produção de alimentos, produtos de higiene, cosméticos, panificação, confeitaria e farmacêuticos, por exemplo. “Cada vez mais o cacau tem encontrado espaço em diferentes mercados, mas o principal continua sendo como matéria-prima para a indústria alimentícia, principalmente o chocolate”, informou Losi.
Setor cacaueiro
Segundo a AIPC, o Espírito Santo é o terceiro estado produtor de cacau, sendo Linhares o maior produtor da região, ficando atrás de Bahia e Pará. De acordo com o último censo agropecuário realizado pelo IBGE em 2017, o Espírito Santo possui cerca de 2.806 produtores.
A produção de cacau do Brasil é a sexta maior do mundo, com mais de 93 mil produtores, segundo o IBGE Censo Agropecuário 2017, gerando mais de 220 mil empregos diretos e indiretos, conforme dados da Ceplac.
Além da produção, o país possui um parque industrial de moageiras, com capacidade de processamento de amêndoas de 275 mil toneladas anuais e que geram cerca de mais de 4 mil empregos diretos e indiretos.
Sobre a AIPC
Conforme a presidente executiva da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), Anna Paula Losi, a AIPC tem como associadas as empresas Barry Callebaut, Cargill e Olam e respondem por aproximadamente 95% do processamento do cacau brasileiro. As três empresas juntas processam em média 230 mil toneladas/ano.
“Mas existe um espaço muito grande para crescimento, pois a indústria tem capacidade para moer até 275 mil toneladas de cacau, mas, para isso é fundamental o aumento da produção de amêndoas no mercado brasileiro”, completou Losi.
Redação Campo Vivo



