Setor deverá manter investimentos mesmo em cenário adverso, diz BB

por admin_ideale

Apesar dos aumentos nos custos de produção e a redução nos preços das commodities, o setor agropecuário segue numa crescente quando se trata de crédito rural. Entre julho de 2014 e fevereiro de 2015, o Banco do Brasil desembolsou mais de R$ 53 bilhões em financiamento, alta de 13%, e a perspectiva é que a demanda se mantenha em 2015/ 2016.

Em entrevista exclusiva ao DCI, o diretor de agronegócios da instituição financeira, Clênio Teribele, conta que, nos últimos anos, a carteira de investimentos do setor cresceu muito, mas só será possível avaliar o comportamento dos produtores para a próxima safra quando estiverem estabelecidas as condições do mercado – Plano Agrícola e Pecuário (PAP), do governo federal – e o cenário de preços das commodities.

Otimismo

"O que é certo é que a demanda por custeio sempre se renova, com expectativa de crescimento a cada ano", avalia o executivo. Para ele, mesmo com as adversidades macroeconômicas, é possível esperar expansão de áreas, baseada no cenário de preços impulsionado pelo câmbio. "Acreditamos que não haverá desinvestimento", completa.

Na última semana, o banco disponibilizou mais de R$ 7 bilhões para capitalização dos produtores rurais. O crédito atende especialmente os produtos contemplados pela Política Geral de Preços Mínimos (PGPM), pelo prazo de 120 dias. Com esses recursos, somados aos volumes já alocados para atender o financiamento das culturas do atual ciclo agrícola, além das linhas de investimentos e das demais de comercialização, a instituição se mantém líder no atendimento ao setor.

Para o final da temporada de 2014/2015, estima-se que o Banco do Brasil disponibilize R$ 81,5 bilhões em recursos.

"Estamos com um fluxo de desembolso dentro do que esperávamos, vamos chegar bem ao final da safra e os recursos do ciclo estão disponíveis. Comparada a outros setores, a agricultura ainda vive um momento exuberante", enfatiza.

Participação bancária

Teribele destaca que as principais demandas para este segmento do banco parte da pecuária de corte e leiteira, que representam 19,8% da participação em carteira. Commodities como soja e milho, por exemplo, correspondem a 8,3% e 3,5%, respectivamente. Diante disto, as áreas de atuação seguem, basicamente, as regiões onde estão localizadas estas culturas: Sudeste com 33%, Sul, 34%, Centro-Oeste responde 22%, Nordeste por 6% e Norte por cerca de 5%.

Questionado sobre a possibilidade de expansão no complexo entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia – o chamado Matopiba – por ser visto como a nova fronteira agrícola do País, o diretor afirma que a participação naquela região já está praticamente consolidada e deve ser mantida.

Agricultura familiar

Atualmente, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) detém 21,8% da carteira do banco. Em dezembro de 2014 o segmento registrou avanço de 24% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

"O Pronaf Mais Alimentos emprestou muito dinheiro nesta safra, apesar de todos os segmentos de clientes serem atendidos. O agricultor familiar tem bastante velocidade no acesso ao crédito, daí também vem a iniciativa do novo aporte de R$ 7 bilhões anunciado na última semana para o PGPM", explica.

Em algumas regiões, agricultores de menor porte levantam questionamentos em relação à dificuldade de acesso ao crédito bancário. Sobre isso, Teribele esclarece que às vezes o produtor busca financiamentos além da capacidade dele, o que acarreta este tipo de problema na concessão. "Existe quem tem acesso ao crédito e quem não tem", ressalta.

Cenário nacional

Mesmo com a expansão nos desembolsos e demandas do Banco do Brasil, segundo o Ministério da Agricultura, em linhas gerais, os recursos aplicados no crédito rural do País para custeio, investimento e comercialização alcançaram R$ 94,1 bilhões, de julho de 2014 a janeiro deste ano, o que corresponde a 60,3% do total programado para o ano safra 2014/2015, de R$ 156,058 bilhões. O valor consta no PAP anunciado em maio do ano passado pelo governo federal.

O resultado apresenta um decréscimo de 3,4% em relação a igual período de 2013/2014, quando foram aplicados R$ 97,4 bilhões. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola, a aplicação menor foi resultado da redução dos financiamentos a agroindústrias, que não vêm tendo o mesmo comportamento do período anterior.

O crédito agroindustrial é destinado a indústrias exportadoras (inclusive trading), que comercializem, beneficiem ou industrializem produtos agropecuários adquiridos diretamente de produtores rurais ou de suas cooperativas, em atividades como: usinas de álcool e açúcar e destilarias, moinhos de farinha de trigo, indústrias de suco de laranja.

 

 

DCI

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