Graças à inseminação artificial e, mais recentemente, ao uso desta tecnologia associada à do sêmen sexado, que garante um índice de até 92% de certeza do sexo da cria, a pecuária leiteira do Brasil evolui a passos largos.
“Quando falta leite no mundo, é preciso ter fêmeas de qualidade, e isso faz disparar que o negócio de sêmen sexado”, afirma Guus Laeven, presidente da Lagoa da Serra Ltda., de Sertãozinho, uma das líderes em inseminação artificial.
“Esse mercado, inexistente três anos atrás, deve atingir 500 mil doses neste ano, o dobro do ano passado”, acrescenta Lino Rodrigues Filho, presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) e da IVP do Brasil, empresa de coleta, armazenagem e aplicação de sêmen bovino.
Segundo a Asbia, nos últimos dez anos, até 2007, o mercado de sêmen cresceu 27,2%, para 7,5 milhões de doses. Desse total, 49,3% para gado leiteiro. “Até 2013, serão 15 milhões de doses, sendo 10 milhões de doses para gado leiteiro e 5 milhões para gado de corte”, prevê o presidente da Asbia.
Graças ao investimento dos produtores em tecnologia, a produção nacional de leite disparou nos últimos dez anos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1998 e 2007, a produção brasileira de leite inspecionada saltou 61,8%, para 17,8 bilhões de litros. A produção total, incluindo a não-inspecionada, ultrapassou 26 bilhões de litros em 2007 e se aproxima dos 29 bilhões de litros neste ano.
O aumento da produção permitiu ao País ampliar as exportações. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações nacionais de lácteos, até abril, totalizaram 42,8 milhões quilos, ou 48,8% mais que em igual período de 2007. A alta das exportações no período foi de 154,3%, para US$ 151,9 milhões. Nos quatro meses de 2008, o País exportou mais do que em todo o ano passado.
Não é à-toa que a receita da Lagoa da Serra, controlada pelo grupo holandês-belga CRV, deve aumentar para R$ 45 milhões neste ano, 350% mais que em 1998. Neste ano, as vendas de sêmen, deverão passar de 2 milhões de doses, “o dobro de dez anos atrás”, informa Laeven. Desse total, mais de 10% será de sêmen sexado, a maior parte para a pecuária leiteira.
Os produtores que puderam investir em tecnologia não reclamam. A Fazenda São Pedro, de Fernandópolis, que tem 900 vacas de lactação, foi uma das primeiras a usar a tecnologia sêmen sexado. “Além da produtividade ter aumenta bastante, os preços das vacas quase dobraram de um ano para cá”, diz Andrew Jones, gerente da fazenda, que no último domingo leilou 220 vacas selecionadas.
Cromossomo X
Essa tecnologia tem impacto na pecuária de leite, diz Guus Laeven, presidente da Lagoa da Serra. Quem tem a patente da tecnologia é a norte-americana Sexing Technologies, parceira do grupo CRV, que controla a Lagoa da Serra.
Osvaldo Teobaldo Filho, gerente de produção da Sexing baseado na Lagoa da Serra, conta, que neste ano, a empresa receberá mais dois citômetros de fluxo, que se somarão às quatro máquinas já existentes. Essas máquinas trabalham 24 horas por dia realizando, cada uma, a leitura de até 40 mil espermatozóides por segundo. A rapidez é necessária, já que cada mililitro de sêmen bovino tem em média 1,5 bilhão de espermatozóides.
Por meio de radiação infra-vermelha, os citômetros de fluxo conseguem identificar e separar o espermatozóide portador do cromossomo X, que dará origem a uma vaca. Segundo Teobaldo, o espermatozóide bovino com cromossomo X tem uma quantidade 3,8% maior de DNA do que o Y.
Gazeta Mercantil

