Após mais de cinco anos, Enio Bergoli se despede da Seag/ES

por admin_ideale

“Depois de mais de cinco anos atuando como gestor da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca – Seag, encerro até aqui o ciclo mais importante da minha vida profissional, onde me tornei o secretário com mais tempo ininterrupto da Pasta”.

Foi assim que o ex-secretário de agricultura do Espírito Santo, Enio Bergoli, iniciou seu texto de despedida do comando da secretaria enviado aos atores do setor rural e publicado em rede social no final do ano passado, destacando, dentre diversos pontos, a evolução da produção capixaba, as exportações agrícolas e a não ocupação da Seag no período, fato que “eram tão comuns num passado não muito distante”.

Com a mudança de governo, Enio Bergoli deixa a pasta que agora será coordenada por Octaciano Neto, a quem solicitou cooperação a todos que o ajudaram em sua caminhada.

 

Leia o texto na íntegra.

 

 

Um ciclo que se encerra. Meu agradecimento a todos!

 

Depois de mais de cinco anos atuando como gestor da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca – Seag, encerro até aqui o ciclo mais importante da minha vida profissional, onde me tornei o secretário com mais tempo ininterrupto da Pasta. Como engenheiro agrônomo de carreira do Governo do Estado, há quase 29 anos, e como filho de pais que ainda residem no rural, fatos que marcam a minha identidade com essa área, tenho muito a agradecer aos governadores que me confiaram essa honrosa missão por tanto tempo. Muito obrigado!

 

Nesse período, tive a oportunidade de coordenar e ou participar da criação, da ampliação e do fortalecimento de diversos programas relacionados à infraestrutura rural, às atividades agropecuárias geradoras de renda e às políticas sociais e ambientais do campo. Muitos inéditos para nós, capixabas, e também para o Brasil.

 

São vários os motivos da minha alegria e satisfação pessoal por ter colaborado para que muitas famílias estejam sorrindo de felicidade.  Como exemplo, cito a pavimentação de estradas rurais, que representam o adeus à poeira e à lama e o início de um novo ciclo de oportunidades para as regiões mais longínquas onde habitam a nossa gente sofrida do interior.

 

É quase indescritível a aura das pessoas com a telefonia móvel e internet chegando de forma inédita nas comunidades e distritos do Espírito Santo, o que tira as famílias do isolamento digital e as conectam com o mundo, reduzindo as desigualdades entre o rural e o urbano, tão comuns em todos os países. A energia trifásica dando suporte aos equipamentos que ampliam a produtividade, melhoram a qualidade da produção e agregam valor aos produtos agropecuários virou uma realidade nesse tempo que vivemos. A distribuição, com critérios de prioridade, de mais de quatro mil máquinas e equipamentos para uso coletivo da agricultura familiar reduziu o trabalho penoso e deu novo ânimo para a melhoria dos processos produtivos nas propriedades rurais.

 

Hoje o Espírito Santo está conhecido e consolidado como região produtora de cafés de qualidade, fruto de um trabalho executado em parceria sem vaidades entre o Governo do Estado e as mais de 40 instituições ligadas ao setor, entre cooperativas, associações, sindicatos, comerciantes, federações e agroindústrias. O avanço da fruticultura é decorrente da implantação e consolidação de vários polos de frutas, que impactou positivamente a renda das famílias, sobretudo aquelas que dispõem de pouca área para a produção.

 

A ampliação da cobertura florestal nativa e dos cultivos florestais com fins econômicos,  que também contribuem para a preservação dos recursos naturais, foram fatos marcantes, nos últimos tempos. O Estado deu um exemplo ao Brasil, pois ampliou a cobertura florestal nativa e, mesmo assim, a produção agrícola cresceu via aumento de produtividade e não de área plantada. Um show de tecnologia efetivamente aplicada pelos agricultores!

 

Implantamos o mais completo programa de apoio à agricultura familiar do Brasil, modo de produção que está presente em 80% das propriedades rurais capixabas. São ações efetivas nas áreas de assistência técnica, pesquisa, infraestrutura, agricultura orgânica, crédito, habitação rural, juventude, agroindústria, revitalização de assentamentos e outras. Não é por acaso que a receita bruta por hectare da agricultura familiar do Espírito Santo é 61,5% maior que a média da agricultura familiar brasileira. Pequenos em área, mas fortes e inseridos no mercado!

 

Nos últimos anos, crescemos em todos os indicadores econômicos e sociais ligados ao rural, sem exceção.  O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBPA) do Espírito Santo, que era de R$ 4,5 bilhões em 2009, vai ficar próximo a R$ 8,1 bilhões em 2014, registrando um crescimento fantástico de 80%, em apenas cinco anos.

 

O crédito rural, que mede o dinamismo e a confiança dos produtores em investir nos seus negócios, saltou de R$ 1,38 bilhão no ano safra 2010/11 e vai chegar a R$ 2,7 bilhões neste ano safra 2014/15, que vai de julho de 2014 a junho de 2015. Quase o dobro, em apenas quatro anos. E ainda, desde julho de 2010, somos um dos poucos Estados do Brasil que têm um Plano de Crédito discutido com todos os agentes de crédito e  os arranjos produtivos, com metas claras e com prioridades de aplicação de recursos.

 

Esses recursos investidos pelos agropecuaristas, quando associados a muitos outros fatores, dentre os quais destaco a reestruturação de órgãos públicos de apoio ao setor, contribuíram muito para o dinamismo das cadeias produtivas do nosso agronegócio. Para o Incaper e o Idaf, autarquias vinculadas à Seag, foram contratados cerca 700 servidores, um reforço de pessoal histórico e significativo.

 

Isso tudo contribuiu para que, nos últimos quatro anos, tivéssemos as maiores produções da história de café e de leite, dois produtos que formam quase a metade da renda rural capixaba, aquela que fica nas propriedades rurais.  A evolução tecnológica dessas duas atividades, com resultados práticos e mensuráveis, encanta o mundo rural brasileiro.

 

Apesar da crise internacional, com altos e baixos, as exportações do agronegócio do Espírito Santo ficaram na faixa dos 2 bilhões de dólares por ano. Nossos produtos, como celulose, café, pimenta do reino, mamão, carne bovina e de frango, chocolates e derivados de cacau, gengibre, macadâmia e muitos outros chegam em mais de 100 países. Competência dos agricultores e agroindustriais capixabas!

 

Aprendi muito com os produtores rurais e suas representações. Conheci cada palmo do território capixaba. A experiência vivida com os movimentos sociais do campo me fez crescer profissionalmente, me tornou mais tolerante e respeitoso em relação às lutas por dias melhores, de uma classe muito sofrida, que habita e ama o campo. Ficar mais de cinco anos sem invasão, ou melhor dizendo, ocupação da sede da Seag, também é um dado histórico. Pois os protestos com ocupações eram tão comuns num passado não muito distante. Respeito, firmeza, transparência e diálogo são ingredientes indispensáveis para a relação entre as pessoas.

 

É claro que temos muitos desafios a superar que certamente serão bandeiras da nova gestão da Seag. Para essa nova agenda  que certamente estará focada em ciência e tecnologia, reservação hídrica, sustentabilidade e outros temas,  solicito a todos que ajudaram na minha caminhada, que também cooperem na mesma intensidade com o novo secretário da Pasta, Sr. Octaciano Neto. Considero salutar a renovação na gestão pública, tanto como condição indispensável para que se possa avançar, quanto para que se reduza o risco de se fazer mais do mesmo.

 

Meu especial reconhecimento e agradecimento aos colaboradores, amigos e colegas da Seag, Incaper, Idaf e Ceasa que fizeram com que a área da agricultura fosse a melhor avaliada pela população capixaba todos os anos, consecutivamente, desde 2011. Um time recheado de craques em todas as posições!

 

Agradeço mais uma vez todas as lideranças e instituições ligadas à agropecuária, à pesca e à aquicultura, e seus negócios associados. Aos amigos mais próximos, do dia a dia, deixo uma mensagem final, parafraseando meu irmão mais velho: “sou um lutador (pelas causas do campo), mesmo que passe por períodos com pouca munição, sempre estarei muito bem entrincheirado”.  A minha trincheira reside na lealdade e amizade com vocês!

 

Muito obrigado! Um abraço fraternal a todos!

 

Enio Bergoli – Engenheiro Agrônomo, servidor do Incaper.

 

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