A seca que atingiu as regiões produtoras de cana-de-açúcar e café se refletiu em uma queda de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no terceiro trimestre ante o trimestre encerrado em junho. Além do peso negativo da estiagem sobre a produtividade dessas lavouras, o setor deixou de contar com a contribuição da colheita da soja, que saiu de cena.
“Estamos comparando trimestres com safras relevantes de produtos agrícolas diferentes. No segundo trimestre ainda havia uma safra relevante de soja, o que colaborou positivamente”, frisou Rebeca Palis, gerente da coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2014, a estimativa é que a produção da soja cresça 5,6%, contra um recuo de 5,9% na safra da cana e de 6,6% na do café, produtos de maior peso no PIB do terceiro trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre de 2013, houve alta de apenas 0,3% no PIB agropecuário. “O desempenho ruim já era esperado e estava na conta”, diz Amaryllis Romano, sócia da consultoria Tendências. A expectativa é que a cana ainda tenha um peso negativo no último trimestre do ano. A safra de 2014 deve interromper a bianualidade que marca a produção de café nas últimas duas décadas. Em tese, a produção do grão deveria ter alta este ano, mas a queda de preços dos últimos dois anos desestimulou o cafeicultor a investir e deixou a plantação mais vulnerável aos problemas climáticos.
Projeção
A Tendências projeta um crescimento de 2,9% no PIB agropecuário no ano, graças à safra recorde de grãos. A economista pondera que o desempenho do setor em 2013, de alta de 7,3%, foi favorecido por um efeito estatístico, decorrente de problemas climáticos que derrubaram o PIB do segmento (-2,1%) em 2012. Para 2015, a consultoria espera um crescimento de 1,8% do PIB agropecuário.
Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a variação positiva de 0,3% no PIB do segmento contou com as estimativas robustas de crescimento na produção anual de lavouras como laranja (3,2%), mandioca (10,1%), feijão (10,9%) e trigo (30,6%). Embora menos importantes, elas compensaram em parte o prognóstico negativo da cana e do café, safras de maior peso no trimestre.
Para o analista técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, Robson Mafioletti, o crescimento interanual de 0,3% “é um sinal positivo se considerarmos que o País está em estado de estagnação”.
Tribuna do Norte

