Agricultura familiar pode ajudar a combater a obesidade, dizem debatedores

por admin_ideale

O Brasil avançou nos últimos 15 anos em termos de segurança alimentar, ao sair do mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU), mas agora enfrenta um novo desafio: combater a obesidade.

Para isso, o estímulo à agricultura familiar será essencial, já que a mudança nos hábitos alimentares do brasileiro estaria relacionada à concentração no mercado agroalimentar.

Essa foi a avaliação dos participantes do Seminário Direito Humano à Alimentação Adequada e Agricultura Familiar, realizado nesta quarta-feira (26) na Câmara dos Deputados.

O representante do Ministério da Saúde, Eduardo Nilson, destacou que, com a queda da desnutrição no País, o crescimento do excesso de peso na população agora é uma das grandes preocupações do governo.

“A agricultura familiar é essencial para a reversão desse quadro”, afirmou Eduardo Nilson. Segundo ele, o governo tem diversos programas de estímulo do consumo de alimentos saudáveis, minimamente processados, como forma de prevenção de doenças.

Nutrição inadequada
O doutor em Meio Ambiente e professor da Universidade Federal da Fronteira do Sul Julian Perez, informou que, no Brasil, 51% da população adulta masculina e 48% da população adulta feminina estão obesos.

Conforme ele, cada vez mais a alimentação do brasileiro se concentra em poucos alimentos e isso estaria diretamente relacionado à concentração corporativa na produção agroalimentar.

“Essas empresas globais produzem alimentos de baixa qualidade nutricional, alta concentração de teores de gorduras, ultraprocessados, baseados em monoculturas, em poucas espécies, e não respeitam nossa cultura e nossos hábitos alimentares”, ressaltou.

De acordo com o professor, foi reduzido, entre a população brasileira, o consumo de cereais e feijões e aumentado o consumo de amido e leite, por exemplo. “60% da energia alimentar provêm hoje do milho, trigo, arroz e batata”, acrescentou.

Estímulo
Para Perez, o estímulo à agricultura familiar é a chave para mudar essa situação. Segundo ele, enquanto as empresas globais concentram-se na produção de 12 culturas, os agricultores familiares cultivam cerca de ste mil espécies. “A agricultura familiar é a guardiã da diversidade e dos nossos hábitos alimentares”, disse.

Porém, o avanço desse modelo de agricultura esbarra na concentração fundiária: embora produzam 70% dos alimentos para a população do País, os agricultores familiares ocupam apenas 24% das terras brasileiras produtivas.

“Temos elevado a área produtiva dos produtos de exportação e reduzido a área produtiva de produtos para o mercado interno”, afirmou Perez. “Só o milho e a soja correspondem a 80% da área plantada no Brasil”, destacou. “Temos exportado soja para a China, e importado feijão preto do mesmo país”, completou.

A concentração se daria não apenas na questão da terra, mas também no mercado de produção de sementes e de processamento e distribuição de alimentos.

Reforma agrária
Para a representante da Via Campesina (movimento de camponesas), Iridiani Seibert, a mudança dos hábitos alimentares do brasileiro, com a migração para uma alimentação de base agroindustrial, tem sido estimulada pela prioridade dada ao agronegócio pelo governo.

O conselheiro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Írio Conti, e o vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Wiliam Clementino, defenderam a reforma agrária para resolver o problema, com a distribuição de terras para os pequenos agricultores.

“A agricultura familiar produz alimento saudável, sem agrotóxicos”, disse Clementino. “O fomento ao agronegócio faz com que as pessoas comam comida envenenada, e depois isso gera um congestionamento no Sistema Único de Saúde”, acrescentou.

O seminário foi promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, em conjunto com as frentes parlamentares da Agricultura Familiar; da Agroecologia; da Extensão Rural; e da Segurança Alimentar e Nutricional,

 

 

Lara Haje

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